12/04/2016

COMO O BANIF FOI ENTREGUE AO SANTANDER

INTROMISSÃO ABUSIVA do BCE e da COMISSÃO 
PROMISCUIDADE do BdeP e do GOVERNO PSD/CDS
PAPEL DUVIDOSO do ATUAL GOVERNO

Fica-se com a sensação, depois de ouvir e ler atentamente os registos públicos das audiências da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BANIF que, da parte das autoridades europeias (nomeadamente Banco Central Europeu (BCE) e Direção Geral da Concorrência e Preços (DGComp) / Comisssão europeia), havia um plano - progressivamente apurado nos seus detalhes - de obrigar Portugal a vender o BANIF ao Santander.

Para tanto contou com a promiscuidade clara do Banco de Portugal (BdeP) e do governo PSD/CDS, ainda que em graus e formas diferentes. 

Ao ponto de as autoridades europeias terem resolvido antecipar a "resolução" do banco (traduza-se: venda), primeiro de 2017 para 2016 e depois, num golpe súbito, em Dezembro 2015 antecipando o prazo-limite em três meses e fixando-o em 20.Dezembro.2015.

Registe-se esta "coincidência": António Costa do PS foi indigitado 1º ministro em 25.Novembro.2015.





Eis algumas frases-chave que validam as interpretações anteriores:

Audiência à ex-ministra, Maria Luís Albuquerque:

""O calendário da DGComp" não previa decisões no Banif até final de 2015, evidencia a ex-ministra." " Terá sido aqui que ocorreu uma reviravolta no caso Banif." 
"Maria Luís afirmou que, para além de "inesperada", a solução que o BdP lhe apresentou na carta de 17 de Novembro "tinha para os contribuintes um custo" muito elevado"

Nota: A ex-ministra refere-se à obrigatoriedade do Estado recapitalizar o banco imediatamente, obrigatoriedade que lhe fora transmitida pelo governador do BdeP naquela data.
Anteriormente, o plano era a restruturação estender-se até 2017, não havendo nenhuma recapitalização prevista, além da que já tinha havido com a injeção de 1.100 milhões de euros pelo Estado e que levou este a assumir 60% do capital do banco.

In jornal Público, verifique  AQUI.


Audiências a Jorge Tomé (ex-presidente do Banif) e ao ministro das Finanças atual Mário Centeno:


As responsabilidades do governador do B. de P. , a promiscuidade privado/público

"O Banco de Portugal demorou mais de três meses a conceder o registo de idoneidade aos gestores do Banif. 
Um dia depois de Jorge Tomé informar o actual Governo do impasse, o supervisor emitiu parecer positivo.
Numa carta enviada a 9 de Dezembro ao governador do banco central, Carlos Costa, com conhecimento do ministro das Finanças Mário Centeno (nomeado a 26 de Novembro), Jorge Tomé evoca que “tem vindo a ser confrontado com inesperadas adversidades por parte do supervisor”, especialmente “por falta ou demora de resposta” ou “por imposição de medidas cuja razoabilidade não pode deixar de ser colocada em causa”.

"Onze dias antes da venda e da resolução do Banif, o ex-presidente do banco, Jorge Tomé, escreveu ao Banco de Portugal (BdP) a acusar o supervisor de com as suas acções estar a “descredibilizar” e a “fragilizar” a instituição, pondo em causa a sua viabilidade. E, na sequência, admitiu renunciar ao cargo “por não lhe estar a ser dado o nível de confiança que deve merecer do BdP”."

"E a partir do último trimestre de 2015, lê-se, o BdP não só adiou deliberações, como não deu resposta a problemas que necessitavam de solução imediata. E a 17 de Novembro surgiu ainda com imposições prudenciais que não se previam e que contrariavam as avaliações dos auditores (a PwC) escolhidos por Carlos Costa (e pagos pelo Banif), para além “de colocarem em causa a credibilidade das contas de Setembro de 2015”, entretanto já divulgadas ao mercado com a chancela do supervisor. E onde o banco revelou lucros pela primeira vez desde a nacionalização, no valor de seis milhões".

"Uma das alterações pedidas pelo BdP prendia-se com a necessidade de um reforço adicional de imparidades de 177 milhões que iria colocar ao Banif “um inesperado e injustificado problema imediato de rácio de solvabilidade”, que ficaria abaixo do limite mínimo de 8%. O que não era indiferente. O não cumprimento do rácio era uma condição para o banco central decretar a resolução do banco – que desde o Verão já estava a ser programada nos bastidores do BdP."


"O ex-administrador do BdP, António Varela, que na semana passada esteve na CPI (...) confirmou que em Abril de 2015 começou a preparar um plano de resolução do Banif (criação de um banco de transição para venda) que finalizou em Junho, altura em que arrancaram os contactos com o Santander para a alienação da instituição (o que se viria mesmo a verificar a 20 de Dezembro por imposição da DG Comp). Varela esteve na CPI na dupla qualidade de ex-administrador do Banif em representação do Estado, entre Janeiro de 2013 e o Verão de 2014, e de ex-administrador do BdP, até Março deste ano."

NOTA: Outra "coincidência" interessante mostra a promiscuidade que se atingiu em Portugal e na UE entre pessoas envolvidas até ao pescoço no setor privado e que logo circulam para o setor público para exercerem a supervisão justamente dos setores onde têm interesses. Esse é nitidamente o caso de António Varela, ex-administrador ou funcionário em vários bancos (na UBS-Portugal, que esteve envolvida através duma subsidiária na venda do Novo Banco, administrou também o Banif numa fase anterior, possuia ações do Santander e do mesmo Banif, anteriormente tinha sido administrador da Cimpor, posteriormente passa pela função de regulador na CMVM e finalmente é nomeado administrador do BdeP, com funções de supervisor direto do mesmo BANIF.

Registe-se também que a ministra das Finanças do PSD é muito próxima de António Varela e lhe deu sempre o maior respaldo, mesmo em situação de alguns atritos com o governador do BdeP.


Conferir in http://lawrei.eu/caso-banco-banif/category/ministro-das-financas/
e
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/quem_e_antonio_varela_o_administrador_de_saida_do_banco_de_portugal.html


Sobre  o papel do atual governo PS

É evidente que o atual governo levou de chofre com uma enorme pressão da UE e suas instituições (BCE e DGComp) que lhe retirou margem de manobra no sentido de obrigá-lo a oferecer o BANIF ao Santander.

Mas, mesmo dando o benefício da dúvida, é notório que, no mínimo,  António Costa evitou em absoluto "comprar" uma guerra com as instâncias da UE logo em início de mandato e tratou de atirar a toalha ao chão mal começou o primeiro round, sem esboçar qualquer luta na questão do BANIF.


08/04/2016

"Panama Papers" - AS NOVAS FORMAS DE GUERRA DIGITAL

Aristegui Noticias
Gigantesca filtración de registros financieros ‘offshore’ expone red global de crimen y corrupción http://bit.ly/1X9tVBN
O vídeo acima representa o padrão de "conversa" vendida pelos media dominantes, no âmbito do que - começa já a perceber-se - é uma enorme campanha bem preparada e orquestrada a nível mundial.

Um tipo de conversa que fala muito, mas revela pouco da verdade profunda.
A não ser que descodifiquemos o discurso BEM MONTADO dos apresentadores.

O vídeo "esclarece" (sem esclarecer) a fonte dos milhões de papéis que foram entregues.

Diz a apresentadora mexicana: "A fonte entregou todos os documentos há mais de 1 ano ao jornal Süddeutsche Zeitung (SZ) e este jornal alemão entendeu fornecê-los à Associação Internacional de Jornalistas de Investigação  [NOTA: Esta ICIJ tem sede em Washington - que coincidência...], a qual os distribuiu por centenas de jornalistas de investigação em dezenas de países que os analisaram durante mais de 1 ano".

Portanto, temos aqui uma fonte - que a jornalista se "esqueceu" de informar ser anónima - mas tal foi revelado pelo próprio jornalista do SZ que recebeu os originais  - fonte que não se sabe minimamente quem é, apenas que resolveu entregá-los anonimamente a um jornal alemão de grande circulação.

As mesmas conclusões podemos tirar dum outro vídeo nos antípodas do planeta, duma TV australiana.

Veja-o clicando AQUI e compare a "conversa" com a utilizada pelas nossas televisões caseiras. Vai perceber como afinam todas pelo mesmo diapasão: "Uma grande investigação" que "mostra como os ricos fogem aos impostos e prejudicam os países", que mostra "como o sistema funciona" e por aí fora.

É curioso que pessoas como eu andem há vários anos a denunciar e desmontar este sistema de assalto estratosférico aos países mais vulneráveis, e só agora estes "jornalistas de investigação" dos media dominantes o tenham descoberto, depois de lançada uma operação como esta, com todo o aspecto de jogada política e económica em larga escala, visando justamente esvaziar as denúncias dos verdadeiros ativistas sociais, e mostrando uma pequena parte do sistema para salvar o restante.

Uma primeira constatação: durante mais de 1 ano, dezenas de jornalistas em todo o mundo conseguiram não "vazar" para o exterior nenhuma das importantes informações que tinham. Num mundo onde qualquer informação de interesse que chegue aos jornais é logo explorada desde que venda papel, cabe perguntar, terá sido milagre?

Uma segunda: trata-se duma associação de jornalistas com sede em Washington. Ora, sabendo-se o tipo de (grandes) interesses económicos que dominam os media norte-americanos principais, podemos imaginar a "independência " destes jornalistas. 

Uma terceira: há uma preocupação da parte dos media "oficiais" (incluindo os vídeos acima) de sublinharem  a "credibilidade" dos dados e lhes darem uma exagerada importância, usando termos como "histórico", "nada será como antes", etc.

Em contraste, um outro vídeo - este em gravação dum jornalista freelancer norte-americano, Luke Rudkowski, conhecido pelas suas posições anti-establishment, embora de direita - revela muita coisa por detrás da cena do suposto "grande acontecimento" da publicação destes dados:


Cito textualmente, da gravação:

"Estes são novos instrumentos duma guerra de propaganda digital (...) sabendo-se como os Serviços de Informação norte americanos e ocidentais a executam mesmo à frente dos nossos olhos.

Estamos a viver num novo mundo, numa nova guerra que se trava por meios digitais. Há uma quantidade enorme de desinformação. Há toda uma informação despejada em cima de si e que você precisa de saber quem organiza, quem financia e que impressões digitais estão nela, mas sobretudo, quem beneficia com a maior operação da história do jornalismo.

E todos os dedos apontam para que não apenas beneficiam, não apenas orquestram, não apenas financiam e coordenam tudo isto, mas para [o facto de] os Serviços de Informação americanos e ocidentais e os respectivos líderes de topo estarem a usar [esta campanha] para destruir adversários mais fracos". 


E da sinopse no vídeo do You Tube:

"As impressões digitais [detetáveis] nestas fugas de informação mostram que quem ajudou a organizar e a conduzir a maior fuga de segredos da história do jornalismo foram a fundação Ford, a doação Carnegie, o fundo da família Rockefeller, a fundação W. K. Kellog e a fundação Open Society (Soros)."

Nota: O autor refere-se nomeadamente ao facto de que a associação de jornalistas (ICIJ) que coordena toda esta campanha do Panama Papers  é financiada pelas referidas instituições, assim como, segundo Rudkowski, a figura pública norte-americana de mais alto nível atingida por esta "investigação" ser...  a cantora Tina Turner! 

Rudkowski  refere ainda a estreita colaboração entre a fundação Rockefeller e a CIA em campanhas anteriores contra governos inconvenientes aos EUA.

Convincente, não?


26/03/2016

PARIS-BRUXELAS: A QUEM INTERESSA O TERRORISMO ?

Ainda sob o impacto do terror, particularmente impressivo nos diretos de canais franceses e belgas, com o precedente de Paris a permitir uma melhor leitura...

Desde ações terroristas aparentemente atribuíveis a jihadistas muçulmanos fanáticos
Até à aceitação pelo público europeu duma nova ordem mundial militarizada e dominada
por estruturas centrais sem controle - vai um pequeno passo.


...é  possível apurar alguns dados:

- Alguns dos executantes têm ligações directas familiares e pessoais entre si na vida civil e estarão ligados tanto aos atos terroristas de Paris como de Bruxelas

- Estão identificados vários dos autores dos atentados de Bruxelas, dois deles os irmãos Bakraoui, cabendo ao Ibrahim explodir-se no aeroporto de Zaventem e ao Khalid na estação de Maelbeek; o outro homem que se fez explodir no aeroporto é Najim Laachraui, que fez as bombas tanto de Paris como de Bruxelas e alugou a casa de Auvelais, no sul da Bélgica, onde foi preparada a operação de Paris

Laachraui foi para a Síria em fevereiro de 2013 e era procurado desde dezembro; em setembro, passou pela fronteira austro-húngara sob a identidade falsa de Soufiane Kayal, na companhia de Salah Abdeslam e de Mohamed Belkaid, o outro membro do grupo, um argelino abatido pela polícia no bairro Forest, de Bruxelas

- Os executantes do atentado do aeroporto, paradoxalmente, foram diretamente de táxi desde a casa alugada para o local do atentado, deixando malas-bombas e vário material para explosivos o que denota precipitação; deixaram também abandonado num contentor de lixo o computador dum dos irmãos que manifestava nervosismo e receio de ser preso "tal como ele" - referindo-se provavelmente a Abdeslam

- Este elemento do grupo, Salah Abdeslam, fora preso cinco dias antes numa operação no bairro de Forest, sendo dois outros elementos abatidos na altura; tudo indica que esta operação policial precipitou os atentados, que já estariam em preparação há meses

- Fayçal Cheffou, jornalista free-lancer de temas muçulmanos, foi dado, com base no depoimento do taxista, como o terceiro terrorista do aeroporto de Zaventem, aquele que fugiu sem explodir a carga, desconhecendo-se de momento a razão da fuga; curiosamente, Faiçal foi preso à saída do edifício do Ministério Público belga mas posteriormente libertado por se ter concluído ser inocente, o que mostra muita desorientação e falta de informação suficiente por parte das autoridades

- A Bélgica parece ser a nível europeu um país preferencial no recrutamento para o jihadismo devido à presença dum forte contingente de muçulmanos vivendo em regime de ghetto, manifestamente desintegrados e rejeitados pela população tradicional. Mas é a meu ver um erro crasso estabelecer uma relação de causa direta entre estes problemas sociais e os atos e redes terroristas. Quem o faz presta um bom serviço político aos verdadeiros mentores deste tipo de terrorismo.

QUE LÓGICA POLÍTICA EM TUDO ISTO?

A escolha de Paris e de Bruxelas como alvos, assim como o facto de não existirem praticamente ações bombistas noutros países - que supostamente para um jihadista seriam alvos principais - estando mesmo alguns desses países a bombardear o Daesh - mostra que a UE é o verdadeiro alvo político de quem está por detrás dos grupos bombistas, a manipulá-los na sombra; aliás, bem no topo da pirâmide, as verdadeiras cabeças estão protegidas nos seus gabinetes dum edifício luxuoso duma qualquer capital ocidental ou do Médio-oriente.

Um outro facto causa interrogações na própria imprensa belga e ocidental: a falta de eficácia das polícias europeias, em particular das francesa e belga; apesar de terem identificado suspeitos deste grupo operacional há meses, deixaram-nos movimentar à vontade pela Europa (como se vê no relato acima) a prepararem tranquilamente o atentado seguinte.

Será apenas incompetência ou há fatores paralisantes mais graves, como infiltrações nas cúpulas policiais e políticas?

Também interessante é o alarido feito agora pelo nefando Erdogan, da Turquia  - responsável por ataques recentes às forças que combatem efetivamente o Daesh (curdos, sírios e russos) enquanto se acumulam provas do envolvimento da Turquia e da NATO no apoio logístico a esse mesmo Daesh através do fornecimento do mais diverso material e da compra de petróleo ao grupo terrorista.

Não é credível que esta óbvia conivência da Turquia com o Daesh seja apenas fruto de interesses hegemonistas regionais da Turquia de Erdogan, e que a NATO, de que a Turquia é um importante membro na região, não tivesse capacidade de o persuadir a alterar a sua postura caso tivesse real interesse. Uma NATO muito ativa quando se trata de atacar os interesses russos ou regimes como o de Kadafi ou o de Al Assad, mas estranhamente paralisada e ambígua quando se trata de meter na ordem Erdogan ou o próprio Daesh.

Muito estranho também o silêncio de Israel e da Arábia Saudita no auge da guerra síria, enquanto as cúpulas do Pentágono subitamente mostram preocupação em propagandear uma pretensa eficiência contra os terroristas no Iraque e na Síria, eficiência que nunca tiveram nos dois anos precedentes.


A ANÁLISE AO PLANO DESTABILIZADOR DA EUROPA TEM QUE SER GLOBAL

Ficam por explicar ligações doutras "pontas" como a vaga de emigrantes, o papel da srª Merkel que apelou à sua vinda, e da Turquia que os estimulou a invadirem a Europa e agora consegue um acordo trilionário promovido pela mesma Merkel.

Haverá ligação destes factores perturbantes da estabilidade europeia com o esquema terrorista, igualmente perturbador dessa estabilidade?

Assim como da campanha que já circulava na Internet contra os muçulmanos ainda antes da grande vaga de refugiados e que claramente era manipulada por centrais de intoxicação internacionais, em textos e imagens muito bem elaboradas também em Português, e reencaminhados por pessoas ingénuas (ou não).

Uma propaganda tão invasiva nunca poderia ser espontânea nem ter origem local, se olharmos à sua qualidade técnica e à presença persistente e sistemática nas chamadas redes sociais, e ao facto de não haver presença relevante de comunidades islâmicas e muito menos ações terroristas em espaços lusófonos que de perto ou de longe a motivassem.
Ver exemplo dessa propaganda AQUI.

Uma questão se impõe: quem tem interesse nestes atentados? 

Seguramente, aquelas forças que querem transformar a Europa num espaço acéfalo e acrítico, cujos povos se submetam ao medo e aceitem todo o tipo de controles e um sistema de governo centralizado e opaco - mesmo que camuflado atrás dum discurso pseudo-liberal de tipo federalista ou outros discursos europeistas e transatlânticos que dão muito jeito porque douram a pílula das verdadeiras intenções - abdicando os povos do que lhes resta de soberania e liberdades fundamentais em nome da segurança, agora ferida de morte nos atentados.

MENOSPREZAR A GUERRA IDEOLÓGICA E PSICOLÓGICA SERIA IDIOTA

Não por casualidade somos "bombardeados" simultaneamente por mensagens subliminares como em mais uma superprodução estreada recentemente, Assalto a Londres London has fallen. Deve ser coincidência tais filmes aparecerem justamente a seguir aos atentados de Paris e antes dos de Bruxelas. A programação em Hollywood é feita com muitos meses ou anos de antecedência. No filme os terroristas e seus líderes máximos têm todos fisioniomias árabes ou iranianas e vivem no meio de velhas medinas tomando chá;  a história é a dum assalto terrorista em larga escala a uma cidade europeia, no caso Londres, coordenado no topo por um "poderoso" e enigmático traficante de armas, algures no meio duma cidade poeirenta e antiga do Médio-Oriente muçulmano.

De notar que este filme faz parte duma série iniciada em 2013 com Assalto ao Olimpo, tendo exatamente os mesmos roteiristas e elenco, e o fabuloso arsenal técnico e humano de Hollywood posto ao serviço duma ideologia e quiçá mesmo dum plano, se olharmos às datas de eventos mundiais relacionados.

No caso do primeiro filme da saga o foco era um suposto assalto norte-coreano à sede oficial do "poder imperial", a Casa Branca, em Washington D.C.

Se pesquisar no Google vai ver que as datas coincidem: o 3º ensaio nuclear norte-coreano (o mais potente, e o primeiro sob a presidência Kim Jong-un, o que causou maior reação do Pentágono), em 12 fevereiro 2013Olympus has Fallen, lançado em Março 2013;

Que original...  E "nada a ver" com a agenda do combate ao Eixo do Mal segundo definição do Pentágono, claro. 

Tudo factos "nada  intencionais" nos timings e temática.



Fontes: Sites on-line através do Google; TV5 Monde, TVFB, TVSuiça, BBC, AlJaZeera

09/03/2016

BANCOS, CONFUSIONISMO E FALTA DE ESPINHA DORSAL

A PROPÓSITO DO CONTROLE DO NOSSO SISTEMA BANCÁRIO

Agora que está de novo na berra - e de que maneira! - a questão do controle dos bancos portugueses, eis um artigo do Esquerda.net, já com barbas de 3 anos, sobre a evolução das negociatas e cumplicidades de muitos nomes da nossa classe política, empresarial, e até dirigentes clubísticos, muitos deles apresentados impunemente pelos media como "grandes comentadores" e "analistas".

Todos da área do "centrão" político.

Aconselho vivamente a lerem o artigo, e verificarem por si mesmos o papel sórdido de nomes - alguns deles improváveis - como António Ricciardi, José Roquette (Sporting) Alípio Dias (Totta e BCP), Cavaco Silva, Tavares Moreira, Eduardo Catroga, Braga de Macedo, Elias da Costa, Leonor Beleza, Ferreira Leite (PSD) , ou os "socialistas" Santos Ferreira, António Vitorino, Almeida Santos, etc etc no processo de entrega de importantes bancos portugueses a grupos estrangeiros.

E já agora, comparar a denúncia corajosa destas vergonhosas conivências da nossa "élite dirigente", feita por um desconhecido ativista do Bloco, Jorge Costa, com a conversa redonda, dum pseudo-radicalismo palavroso e inconsequente, das atuais lideranças do BE, tão promovidas pelos media do sistema, como a RTP fez ainda hoje a pretexto do dia da mulher com as 3 figuras femininas mais mediáticas do BE (é fácil arranjar um pretexto qualquer, quando se quer fazer public relations em favor de alguém).

Lembrar também que esta RTP é a mesma que foi tomada de assalto pela clique partidária no poder nos últimos 4 anos e meio, que não se tem cansado de usar a televisão pública como meio de propaganda dos interesses anti-nacionais e anti-populares que defende.

Esta particular promoção de determinadas figuras ditas de esquerda é muito conveniente às manobras em curso, de assalto ao poder por estrangeiros sobre a economia portuguesa.

Transformar a política de mobilização e esclarecimento do povo - como deve ser o papel duma verdadeira vanguarda social - num mero exercício de palavreado e vedetismo mediático, é essencial para matar à nascença qualquer reorganização duma vanguarda e qualquer futura revolta popular.

É assim por cá, com o BE, o PCP e os grupúsculos e partidinhos palavrosos, é assim em Espanha, com o Podemos e os demais destroços dos antigos movimentos populares, e é assim na Grécia com o Syriza e demais partidos radicalóides estéreis.

Sem cavalos de Tróia, as Tróias nunca seriam conquistadas.

Ou talvez, na presente situação de enorme desagregação dos movimentos populares no mundo inteiro, seja mais correto dizer: debilitar o filhote do animal selvagem à nascença, entorpecendo-o com drogas - eis uma forma segura de impedir que se transforme num poderoso caçador em adulto.

Siga o link para o artigo em causa, AQUI

http://www.esquerda.net/dossier/privatiza%C3%A7%C3%A3o-do-totta-o-jackpot-de-champalimaud/27106

Jorge Costa, ativista do Bloco de Esquerda
Recado para o Jorge Costa (que verifico numa rápida busca pelo nome que continua a publicar no Esquerda.net), e demais militantes do BE:

De nada adianta constatar que a Comissão e o Banco Central Europeu querem é acabar com a banca em mãos portuguesas (como você diz, e bem, no seu artigo de 4-Janeiro-2016 sobre o Novo Banco) e que são eles quem efetivamente manda, se o seu partido, em vez de lançar uma ampla campanha de esclarecimento e mobilização da população, se limita a discursos redondos, sem fio condutor, abordando 50 temas em catadupa, como o fazem as(os) dirigentes do seu partido na AR e nos espaços que  os media capitalistas lhes concedem "generosamente".

O controle total da banca portuguesa por estrangeiros - claramente em curso, o processo BANIF e o dictat da burocracia da UE, com a conivência do atual governo e o ativo servilismo do anterior, assim o mostram  - é um tema demasiado importante para ser metido no meio de 50 outros temas - desde o glifosato à adopção ou à eutanásia - como se todos tivessem a mesma prioridade.

Aliás, o truque . não tenhamos dúvidas que dum truque se trata - dos dirigentes dos partidos reformistas e conciliadores como o são na prática o BE e o PCP, apesar de apelidados de "extrema esquerda" por parte da direita troglodita, esse truque de sistematicamente atirarem para a praça pública dezenas de temas e reivindicações, de forma torrencial, sem fio condutor, começa a tornar-se demasiado óbvio como forma de evitar que o povo perceba que tanto torrencialismo invertebrado apenas conduz à paralisia do movimento popular e á destruição final do País,


09/11/2015

DADOS RECENTES CONFIRMAM NATUREZA ESPECULATIVA DA CRISE ...

... E A GENERALIZAÇÃO DA ECONOMIA DE CASINO E DAS 'OFFSHORES'

A verdade pode demorar, mas acaba por vir ao de cima como o azeite.

Há anos que venho defendendo: a crise não foi causada pela corrupção, privilégios dos políticos ou gastos excessivos. Esses factores têm um peso pequeno no conjunto. E se fosse assim, há 100 países onde tais factores pesam mais que em Portugal, e no entanto continuam a crescer. Então já teriam falido há muito tempo.

A crise em que vivemos, global, é causada por um sistema cada vez mais artificial à medida que o grosso da produção sai dos países do centro e se deslocaliza para a periferia, outrora apenas constituída pelo 3º mundo, hoje também pelas potências ascendentes.

Esta notícia mostra como os especuladores atuam em relação às dívidas soberanas com vista a manipular os preços e obter lucros colossais.

Conferir aqui (notícia CM)

Entretanto, e em complemento da notícia anterior, constata-se que os valores transaccionados pelos paraísos fiscais correspondem a 1/3 do PIB mundial ! Relacionado com isto, num só dia são transaccionadas nas bolsas de valores importâncias superiores ao PIB dum país inteiro como Portugal ou Espanha !

É por isso que quando os especuladores atuam sem nada que os detenha, é como se um tsunami atingisse o país-alvo da especulação...

Conferir AQUI ou AQUI

Também interessante é analisar a Lista do Secretismo Financeiro da associação  Rede para a Justiça Fiscal, com sede em Londres, criada pelo Fórum Social mundial, representando organizações da economia social e alternativa de todo o  mundo. Ver AQUI.

É interessante notar que nos cinco primeiros lugares da  falta de transparência há 3 territórios que são atuais ou antigas dependências britânicas: Hong Kong (2º), Singapura (4º) e Ilhas Cayman (5º), com a surpresa (?) de os próprios Estados Unidos ocuparem nada mais nada menos que o... 3º lugar! Interessante ainda saber que o Luxemburgo ocupa o 6º lugar, além do 3º  em volume de negócios. Os "campeões" dos negócios offshore são, reveladoramente, o Reino Unido e os EUA. No caso do RU existem 20 paraísos fiscais (sobretudo ilhas) às quais há que somar o país no seu conjunto, e em particular a City de Londres - que se configura como o principal centro de controle destes fluxos a nível geral, seguido de perto por Nova Iorque.

Confirma-se assim que as offshores, a financeirização, a fuga aos impostos e a circulação abusiva de capitais 
constituem o cerne do capitalismo na sua fase atual, sendo usados pelos países mais parasitários à escala global para, apesar das suas economias reais estarem em perda, poderem continuar a jogar um papel mundial.

As offshores são um instrumento fundamental para "filtrar" o dinheiro que sai - usando a emissão de moeda sem controle - e entra de novo através da rede criminosa destes centros parasitários.

Nem doutra forma se compreenderia que os EUA, por exemplo, tivessem a maior dívida externa do mundo, continuamente em aumento com uma balança comercial cronicamente deficitária, e não só continuem a ser a 1ª economia mundial, como cresçam e mantenham um nível médio de vida com gastos extravagantes face ao resto do mundo. Ou que a Inglaterra, após perder grande parte das suas indústrias, se mantenha igualmente em crescimento e como um dos países mais ricos do mundo.

O espantoso é que mesmo economistas ditos de esquerda não analisem este assunto em profundidade, tornando-se assim coniventes com a gigantesca máquina sugadora dos rendimentos dos países  em dificuldades, como Portugal e muitos outros (aliás, cada vez em maior número).

28/10/2015

Portugal e o mundo numa curva perigosa da História

Quem esperava que a direita claramente derrotada se rendesse às evidências e cedesse tranquilamente o poder, equivocou-se.

Eu próprio que, em todo o tempo antes e após as eleições, alertei para a feroz campanha de intoxicação em curso nos media manipulados - em particular todos os canais de televisão - e para a tentativa da clique Passos e Portas (P&P) se manter a todo o custo no governo, cheguei a pensar pouco antes da comunicação do PR que Cavaco tivesse percebido a falta de condições e desistisse de a manter abusivamente no poder (ainda que temporariamente). Afinal não.

E desse facto há que tirar as devidas lições.

1. Uma delas é que não nos podemos fiar nos sinais enviados pelos representantes desta "nova direita" - que justamente se caracteriza por um cinismo e oportunismo sem limites, inclusive usando a técnica da "false flag" (bandeira falsa, ou infiltração nas linhas inimigas sob disfarce), dando sinais errados para confundir, apresentando-se seja com ar neutro ou técnico, seja até humorístico e brincalhão, seja o de "crítico" dos defeitos do sistema.

O grupo no poder envia sinais que procuram confundir o público e as próprias oposições, apoiado por agentes de diversos tipos disseminados nos vários níveis do sistema, alguns deles "false flags", ou seja, agentes camuflados e infiltrados   



Atualmente, tais métodos prosseguem bem ativos - pese a perturbação nas hostes da direita causada pela derrota (real) nas urnas.

Como ainda há algumas horas - e é apenas um exemplo entre dezenas, nos media - o "5 para a meia-noite" da RTP1 onde um tal Fernando Alvim cultiva um estilo jovem e pseudo-desalinhado (certamente não tem esse ar quando confere os chorudos honorários dos vários lugares onde é posto a poluir o éter) escolhia a dedo três "peças" participantes, todas elas compondo o mesmo ar pseudo-brincalhão muito útil para disfarçar a tensão da derrota e debitando frases amalucadas do género "se for preciso até apareço nu" - tudo truques duma espontaneidade calculada  (ao contrário do que é induzido no público) para melhor passarem a mensagem tóxica da suposta vitória da minoria de direita, mentira com a qual o grupo que domina o País há 4 anos e meio tenta justificar a sua manutenção no poder contra a maioria de esquerda.

2. Mas vamos assistindo a outras manobras - nomeadamente nas chamadas redes sociais - às quais é importante estar atento. Manobras neste caso promovidas por micro-partidos e pseudo-ativistas com fachada de esquerda mais ou menos radical, desde abaixo-assinados pedindo (??) o que não tem que ser pedido mas sim imposto por força da Constituição, PONTO  - um governo da maioria  -, até manifestações convocadas à pressa no meio do confusionismo, tentando desviar os ativistas inexperientes da luta a sério planeada e organizada, e pondo em cheque com atos pouco prestigiantes (manifestações falhadas, eventual violência isolada da ação de massas, etc.) a própria legitimidade da maioria conseguida na AR. Convinha aprender duma vez as lições das grandes manifestações do 15 Out e do 15 Set, porque foi esse tipo de fenómeno que se passou depois. Tal como se está a passar na Grécia e se vai passar em Espanha.

3. Mas também manobras nos media principais - pseudo-debates "abertos ao público" onde o apresentador manipula a belprazer (o comentador e o jornalista fazem comentários e interrupções tendenciosos), ou crónicas de pseudoespecialistas que aplicam o arsenal de truques do costume: argumentos "técnicos", fingir que criticam a situação para no final desferirem o golpe  (por exemplo, apoiando o candidato da direita, M. Rebelo de Sousa).

Um dos truques com o qual é preciso ter mais cuidado são esses comentadores "muito inteligentes" e "críticos".

Programas como "Eixo do Mal" e "Quadratura do Círculo" na SIC, são exemplos de análises inócuas, que nunca atacam o sistema na sua base, pelo contrário, criticam sempre aspectos fragmentários. No final, acabam sendo uma dialética vazia que apenas confunde a opinião pública. Veja-se o caso Clara Alves. Radical durante muito tempo nas criticas ao governo P&P no programa citado da SIC ou no Expresso, acaba apoiando a sórdida estratégia da mesma direita manipuladora para se manter no poder custe o que custar (!).

4. Infelizmente, os partidos reformistas da esquerda mais ou menos ambígua que lograram  em conjunto esta maioria na AR, têm um historial recente (como analiso em vários pontos deste blogue, por exemplo AQUI) que mostra um desconhecimento e até por vezes enorme conivência na forma de supostamente combaterem a direita e o sistema.

5. E os grupúsculos que se proclamam de esquerda, sejam de índole anarquista, trotsquista, ou mesmo estalinista (ou com outros "ismos"...) revelam-se na prática ativos defensores dos interesses da direita, seja difundindo mensagens deslocadas do combate real de cada fase, seja tomando iniciativas que se revelam provocatórias, desviacionistas e desprestigiantes para a esquerda, como as que refiro no ponto 2. acima.  

CONCLUSÃO

Enquanto em Portugal a VANGUARDA não se desenvencilhar dos elementos infiltrados que a mantêm manietada, não se reagrupar para constituir uma nova força política que estruture ações disciplinadas, flexíveis, focadas nas tarefas exatas e viáveis em cada momento, a direita continuará a passear-se impunemente e o sistema continuará aí, impante de arrogância, manipulando o povo a belprazer.

A clara manhã de justiça, fraternidade, dignidade, igualdade, onde a cada um segundo as suas necessidades e de cada um segundo as suas possibilidades, continuará adiada (exceto em proclamações patéticas e deslocadas).

O Homem continuará a ser lobo do próprio Homem, o cinismo e a ganância induzidos exclusivamente pelo sistema prevalecerão, continuando impunemente a obra de destruição da humanidade e do planeta, hoje já bem visível a olho nu.



11/10/2015

Eleições - DERROTA CLARA DA DIREITA

CAMPANHA FRENÉTICA DE INTOXICAÇÃO MEDIÁTICA

Apurados os resultados, com exceção da emigração, há que tirar as devidas ilações.
                        
Desde a noite das eleições que os media (todos, praticamente, controlados pela direita e pelo sistema) não param de manipular grosseiramente dando a direita como vencedora, visando impor um governo minoritário vencido nas urnas.

Os partidos da esquerda - para não variar - não respondem à altura
a mais esta brutal investida, dando o devido combate ideológico.

RESULTADOS ELEITORAIS EFECTIVOS
 
Os resultados efetivos são apresentados pelos media "a granel"
e em caracteres pequenos, sem tratamento político,
de forma a confundir uma opinião pública despolitizada e dependente.

As conclusões não podem ser  baseadas numa aritmética falseada e primitiva de "primeiros" e "segundos", como se de um torneio de futebol se tratasse.

Os números têm de ter um tratamento político, analisando os projectos em jogo nestas eleições, nomeadamente - embora a direita tudo tenha feito para desviar daí as atenções - o facto de estar em julgamento uma política seguida pela coligação PaF ao longo de 4 anos, baseada numa austeridade suicida que semidestruiu o país e assaltou as classes médias/baixas, e cujo única lógica é a da economia de casino submissa aos grandes interesses mundiais - lógica que começa finalmente a ser assumida pela imprensa do sistema - baseada na captação de capitais que fogem aos impostos ou que visam a lavagem (provenientes da corrupção e de negócios ilegais).


Capa do Expresso Economia desta semana

Façamos então o tratamento político dos dados, desmontando a frenética campanha de intoxicação em curso.

PRIMEIRO – A direita coligada deixou de ter maioria na Assembleia da República (AR). A coligação PSD/CDS (PàF) terá obtido 38,6% dos votos expressos,  podendo obter 106/107 deputados dos 230 que compõem a AR. Portanto longe dos 9/10 deputados  suplementares que precisaria para ter a maioria.

SEGUNDO – A esquerda passou a ser maioritária na AR como consequência da ampla maioria de votos no País, com 32,5% no PS, 10,5 % no BE e 8,5% na CDU.
Os três somam cerca de 51% de votos e 122/123 deputados. 
Se a esses somarmos os votos dos micropartidos com votações em torno de 1% ou menos que contestam também à sua maneira a política seguida pela direita (PDR, MRPP, Livre, Agir, etc.) a votação em partidos ditos de esquerda ultrapassará os 56% dos votos.

TERCEIRO – A abstenção subiu ligeiramente, cerca de 2%, em relação às anteriores eleições homólogas,  predominando nas zonas rurais e na emigração. Alguns estudos apontam no entanto dois factos relevantes:
a) A existência em torno de 1 milhão de “eleitores-fantasma”, que morreram ou emigraram mas não foram abatidos aos cadernos  
b) O aumento da abstenção é praticamente igual ao nº de emigrantes permanentes dos últimos 4 anos IMPEDIDOS de votar pela burocracia dos consulados (e da estrita responsabilidade do governo) ou cujo voto foi anulado por chegar fora do prazo sem responsabilidade dos votantes.
A estes factos, que constituem fraude no sentido objectivo, há que somar as fraudes intencionais cometidas por indivíduos que, aproveitando-se das confusões nos cadernos, votaram em nome de supostos ausentes e das quais há já reclamações em investigação.
único micropartido que conseguiu eleger um deputado foi o PAN.

QUARTO – Os factos do ponto anterior constituem uma derrota para os que apelavam à abstenção ou ao voto nos pequenos partidos irrelevantes. Sinal que a demagogia não compensa, desde que se lute contra ela de forma consequente.

abstenção (fraudulenta ou não) e a dispersão à esquerda não deixaram no entanto de dar uma mão à coligação de direita. Sem elas o PS teria ficado com mais votos que a coligação PàF e não assistiríamos à tentativa frenética de manipulação  em curso que não se cansou toda a semana de abrir noticiários impingindo despudoradamente a suposta vitória da coligação de direita.

QUINTO – A esquerda venceu em todas as zonas predominantemente urbanas, na maioria delas mesmo com uma maioria esmagadora em relação à direita.
Como é patente nos distritos e cidades de Lisboa, Setúbal, Coimbra e Faro, onde a direita fica muito abaixo da média nacional.

No conjunto de 29 núcleos urbanos  analisados acima - justamente os mais povoados do País - apenas em 3 deles a direita conseguiu ascendente sobre a esquerda

Recordemos um dado da História: em todas as mudanças de regime - guerras liberais, revolução republicana - a oposição firmou-se primeiro nas principais cidades para depois tomar o país.

Uma lógica que decorre de as populações urbanas serem mais informadas e menos manipuláveis. Apesar de hoje em dia a manipulação já não vir apenas de caciques locais mas também dos media (particularmente TVs), tanto nas zonas rurais (população envelhecida confinada à casa), como urbanas (massificação, individualismo crescente).
Facto que ainda valoriza mais a vitória da esquerda em Portugal.


03/09/2015

TAP - Um discurso claro, por uma vez

Nota: Com um alerta para que não se interprete jamais esta introdução crítica como um apelo pusilânime à abstenção como muitos que correm por aí - quase todos alimentados por centrais de intoxicação da direita mundial -, apelos que obviamente no atual momento apenas servem os interesses da clique anti-nacional agarrada ao poder, não pude deixar de publicar este texto após ele me chegar via email.
Mesmo discordando dalguns pormenores, como o autor não se demarcar da privatização em si, como conceito.

Em Portugal raras são as pessoas - e forças políticas, nenhumas - que falam assim, "sem papas na língua" sobre este tema.

Desde os radicalóides profissionais de pacotilha - a última moda é canais que defendem acerrimamente as "privatizações" deste governo e da Troika (como a ETV, canal por cabo do pasquim ultra-capitalista Diário Económico) colocarem como comentadores residentes (!!) em prime time,  com todo o desplante a debitarem frases radicalóides tipo "revolução comunista, já" ou "por um governo patriótico" bla bla bla, sujeitos  que sempre sabotaram e destruiram qualquer reconstrução REAL duma vanguarda popular e patriótica em Portugal (facto histórico que apenas um néscio pode desconhecer) até aos partidos reformistas-capitulacionistas, ninguém é capaz de pegar nos FACTOS CONCRETOS, no MOMENTO EXACTO  em que eles ocorrem e produzir uma discurso cristalino e directo como este.

O que é revelador do estado comatoso a que as forças, grupos e individualidades que dominam a nossa cena política conduziram o movimento popular em Portugal, para gáudio da direita mais subserviente ao estrangeiro que jamais terá existido por estas paragens.

Carlos Paz:

O secretário de estado das privatizações, Sérgio Monteiro, RECUSOU-SE a prestar esclarecimentos à Assembleia da República sobre a PRIVATIZAÇÃO da TAP.

De acordo com o senhor secretário de estado, tal recusa deveu-se à confidencialidade dos dados de AVALIAÇÃO da TAP. Por outras palavras: o Governo estava a vender uma propriedade NOSSA, recusando-se a prestar esclarecimentos sobre a venda aos proprietários (NÓS TODOS) ou aos seus representantes (Deputados eleitos, de TODAS as cores políticas).




TAP – Mais uma monumental ALDRABICE!

Hoje, 24 de Agosto de 2015, ficámos a saber a verdadeira razão:

- TUDO o que o Governo disse sobre a PRIVATIZAÇÃO da TAP é MENTIRA. Pura ALDRABICE!
Fomos convencidos pelo Governo que a venda NUNCA poderia ocorrer às Empresas que manifestaram interesse pela TAP e que a poderiam desenvolver e capitalizar (Emirates, Qatar, Turkish, Ethiad, etc…), para além de estarem (TODAS) dispostas a PAGAR muito mais pela TAP do que os valores ridículos pelos quais foi vendida.

Dizia o Governo que se tinham de cumprir as regras de Bruxelas que IMPEDIAM a venda da TAP a empresas fora da Europa. Hoje, Bruxelas esclareceu: a companhia é DEMASIADO pequena para provocar preocupações de concorrência europeia – por outras palavras: vendam-na a quem quiserem pelo valor que quiserem!

Fomos TODOS, uma vez mais, ENGANADOS em todo este processo:
- Não era necessário vender a empresa ao desbarato;
- Não era obrigatório vender a empresa a empresários descapitalizados;

O problema é que uma venda (BOA para os Portugueses – a bons valores e a quem quisesse desenvolver a companhia) não serviria os interesses instalados, porque:
- Não pagaria as comissões políticas que esta pagou (de elevado interesse em ano em que é necessário financiar a campanha eleitoral);
- Instauraria de IMEDIATO uma auditoria aos CRIMES de Gestão que têm sido cometidos na TAP (por gestores e comissários políticos de TODAS as cores partidárias).

Onde estão agora os jornalistas, os comentadores, os trabalhadores, os sindicatos, os movimentos de cidadãos, os políticos da oposição?
Bem sei que andam TODOS entretidos em Campanha Eleitoral. Mas, agora que estamos a ser ROUBADOS DESCARADAMENTE é que era necessária a sua intervenção! Onde estão?

Recordo que, com a Assembleia da República de férias e com o período eleitoral, já não existe NENHUMA entidade que possa fiscalizar o Governo.

E o negócio RUINOSO para todos nós vai MESMO ser concretizado!
Espero que, um dia, tarde ou cedo, TODOS os CRIMES cometidos (Corrupção, Abuso de poder, Participação em negócio, Abuso de informação privilegiada, Desvio de fundos, etc.) em TODOS os processos de Privatização dos últimos 10 anos NÃO fiquem IMPUNES!
Já chega de tanto lixo!


Carlos Paz,
professor de economia


11/08/2015

A "democracia" dos bancos suiços

"Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades" - EUA e RU, bases do sistema financeiro parasitário global, receando a perda de controlo do sistema, dão mostras de alguma ansiedade face ao crescente protagonismo doutros pólos financeiros mundiais. 

Daí que assistamos à representação destes 'entreactos', de suposta luta contra a corrupção, produzidos precisamente pelos próprios centros que são os 'pais' da corrupção - que a fazem mascarada sob formas 'legais', ou seja, dentro das regras que eles-mesmos instituiram à escala planetária e lhes permitem uma extorsão ad infinitum - beliscada por outros usurários da alta finança, sendo que a Suiça é um dos mais antigos e experientes. 


Quando o sistema entra em crise e passa ao formato financeirizado, há que contar cada milhão, melhor, cada bilião, a esta escala. No fim do dia é o que está em causa - a redução ou aumento dos lucros das várias 'aves' da rapina financeira global.

A presente análise tem por referência o escândalo que rebentou há cerca de um ano atrás, de fuga aos impostos envolvendo milhares de magnatas de todo o mundo com base em bancos suíços, que depositavam nas suas contas os capitais evadidos ilegalmente.

Embora a investigação parta dos EUA, este país é apenas um dos investigados, já que os inquéritos se estendem à França, ao Reino Unido, a Portugal, e a muitos outros países.

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Tradução de partes dum artigo do New York Times (clicar aí para a leitura do original). De notar que o NYT é um jornal dito liberal (significa de esquerda, nos EUA), portanto  faz parte da linha ligada a Obama ou Clinton, aquela que percebeu a nova correlação de forças mundial e ensaia métodos diferentes de dominação, que passam por evitar a intervenção militar direta como no passado (agora usam agentes locais, bombardeamentos a alta altitude ou drones, mas a devastação é igual ou pior), não rejeitando a negociação, que apenas troca a guerra militar pela comercial, informativa, cultural e informática, ou por métodos como estes supostos combates à corrupção que visam apenas eliminar os concorrentes.

É a esta luz que o artigo seguinte deve ser lido. 




«Na semana passada, Pierre-Condamin Gerbier, ex-agente/empregado bancário, foi submetido a um procurador suíço sob acusações de violação do segredo profissional por fuga de informações para as autoridades francesas. Tais informações forçaram a renúncia no ano passado dum ministro das Finanças francês, que tinha contas secretas na Suíça numa fase em que o seu próprio governo lutava contra a evasão fiscal. O resultado é que estes empregados bancários - apanhados no meio duma luta entre instituições judiciais - estão 'tramados' qualquer que seja o lado que decidam ajudar.

É por isso que, estando a ser pressionados para revelar os seus segredos ou os dos clientes, pelas autoridades americanas e outras que investigam evasões fiscais e demais crimes, eles optam por manter o código do silêncio. 

Para estes agentes bancários cujas funções podem provocar processos legais no estrangeiro, o silêncio significa evitar a extradição e poderem ficar na Suíça a viver num limbo legal e pessoal.

Se você der com a língua nos dentes está social e financeiramente morto" - disse Rudolf M. Elmer, que dirigia a operação nas Caraíbas do banco suíço Julius Baer até 2002, e está sob investigação [das autoridades suiças] desde há nove anos, por divulgar informações secretas de clientes a partir dum posto avançado nas Ilhas Cayman às autoridades fiscais da Suíça e do estrangeiro. "Você enfrenta a ameaça de ir parar à prisão. A sua carreira bancária está arruinada. Você nunca mais vai conseguir emprego" [na Suiça].


Descrevendo toda uma vida de técnicas dignas de James Bond (que ironizava num filme de 1999: "Se você não confia num banqueiro suíço, que mundo é este?"), os agentes bancários entrevistados disseram que uma das práticas sob investigação criminal intensiva - o recrutamento clandestino de clientes nos Estados Unidos - não só era conhecido pelos seus chefes, como faz parte do modelo de negócio.

Um agente bancário veterano, que não quis ser identificado por medo de ser acusado na Suíça por violação de sigilo, disse que cada empregado que trabalhou com clientes americanos seguia estritas normas de segurança.

Ele disse que os agentes dos bancos levavam computadores portáteis especiais, formatados para poderem apagar a informação instantaneamente tocando numas teclas, e impressoras portáteis para evitar deixar qualquer vestígio. Eles evitavam ficar nos mesmos hotéis de luxo duas vezes, mudando-se imediatamente se alguém os reconhecia ou chamava pelo nome. Cortavam o nome dos recibos bancários. Os clientes telefonavam de telefones públicos, usando nomes de código.

Ele disse que andava com listas de papel separadas, uma com números de código e outras com os nomes. Esses nomes nunca apareciam em registos bancários, porque estavam protegidos por um labirinto de fundos offshore e de fundações, disse. O interesse destes agentes bancários suíços para as autoridades americanas, segundo ele, é que os agentes sabem as identidades dos clientes, uma vez que se encontravam com eles em eventos de classe alta como o Art Basel em Miami Beach ou torneios de golfe.

"Tudo isto foi feito durante muitos anos", diz o agente bancário. "Toda a gente sabia. Lembro-me de uma festa há alguns anos atrás com outros agentes bancários em que eu disse: 'vocês sabem que nós estamos sempre com um pé na prisão'. Todos riram. Talvez por isso éramos tão bem pagos",


Embora estas histórias pareçam situar-se numa fase "quente" do sistema bancário suíço, a cultura continua a mesma, dizem os agentes bancários, os reguladores e outros especialistas.

"Em rigor nada mudou fundamentalmente", disse Jean Ziegler, socióloga e escritora suíça. "O grande problema dos bancos é que violar o sigilo é considerado traição".

Os bancos suíços gerem mais de US $ 6 triliões em ativos []Nota: 9 vezes o PIB da Suiça, de US $ 684,5 biliões, em 2013], mais de metade provenientes do estrangeiro, números que se têm mantido relativamente estáveis, mesmo durante a crise económica e as pressões de governos no exterior para uma maior transparência dos depositantes, de acordo com Daniela Fluckiger, porta-voz para a área comercial da Associação Suíça de Bancários.

Até à data, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou mais de 35 agentes bancários suíços e 25 consultores financeiros por má conduta e evasão fiscal. Seis foram condenados ou declararam-se culpados.

Raoul Weil, ex-chefe do negócio de gestão de riqueza global da UBS, aguarda julgamento em prisão domiciliar no centro de Nova Jersey com uma pulseira de segurança. Os outros vivem basicamente exilados no seu próprio país.

Alguns agentes bancários sob investigação dizem que seus próprios bancos lhes recusaram hipotecas e fecharam as suas contas por receio de perderem reputação. Um deles sofreu uma invasão domiciliar de madrugada [na Suiça, obviamente] e levaram-lhe o computador e o telefone. 

Agora estes empregados dos bancos interrogam-se se os 100 ou mais bancos suíços vão entregar os mais de 1.000 nomes e respetiva informação aos Estados Unidos, de acordo com a Associação Suiça de Bancários, área comercial. O Departamento de Justiça disse que estes nomes são necessários para investigar os impostos sonegados pelos bancos, agentes e consultores implicados.

"Vamos fazer o máximo para que os empregados não paguem pelas estratégias dos seus chefes", disse Denise Chervet, um porta-voz da associação. "É inacreditável que, agora, alguns dos altos executivos afirmem que não sabiam".

Para muitos destes empregados bancários, o caso do sr. Elmer é instrutivo. Agora desempregado, ele foi preso durante mais de 200 dias e, algumas vezes, mantido em isolamento durante as investigações [suiças] por violações de sigilo - mesmo tendo entregue essas violações às autoridades fiscais suíças.

O sr. Elmer tem um contencioso com o seu ex-banco por causa deste ter posto detectives particulares a seguirem-lhe a família em 2011, tentando descobrir o património da sua filha, o que prova com documentos.

Um porta-voz do banco Julius Baer - um dos que está sob investigação nos Estados Unidos por evasão fiscal - recusou-se a discutir o caso do sr. Elmer.

Nos últimos anos, o sr. Elmer observou como os ex-colegas enfrentam escolhas difíceis semelhantes sobre a quebra do código de silêncio absoluto. Nenhum deles, segundo diz, 'rachou'. "Eles [os bancos] têm poder para destruir as suas vidas", disse Elmer».