04/08/2014

O caso BES e Passos: falar claro sobre irresponsabilidade e conivência

Uma excelente entrevista de Pedro Adão e Silva, sociólogo e ex-dirigente do PS (afastado há uns anos da militância partidária).

Não coincidindo a 100% com o que eu penso, tem a virtude de dizer preto no branco o que os partidos e outros agentes não disseram logo (fazem-no dias depois): a desresponsabilização por parte do chefe do executivo sobre um assunto tão crítico para o País, ao ponto de pôr em causa a pretensa recuperação económica.

É nesta altura que o 'homem do leme' vai a banhos tranquilamente para o Algarve e delega no Banco de Portugal a resolução desta grave crise nacional, não dando a cara.

A política em Portugal transformou-se num jogo mediático de marketing político, pelo que é absurdo dizer, como dizia o dirigente dum partido "operário" que "os jornalistas são apenas os mensageiros".  Não são. Eles são peças essenciais da política-manipulação de hoje, em que os media são a máquina trituradora para lavar o cérebro das "massas".

Aliás, logo a seguir o  líder "operário" referido apresentou-se engravatado e cheio de sorrisos ufanos numa entrevista a um canal principal, como se fosse natural um dirigente "marxista" aparecer em prime time numa TV "burguesa", ainda por cima numa fase em que o País era ocupado economicamente pela troika.  Algo não bate certo nisto tudo.

É só mais uma demonstração de dogmatismo - um dos principais fatores que impedem a oposição de derrubar este executivo - o qual tem como contraponto a debilidade pusilânime de toda a ação oposicionista.



Mas entretanto, o barco da governação, esse, vai claramente à deriva. Só o facto do comando estar fora do País, em Bruxelas ou Berlim, permite iludi-lo.


CLIQUE PARA OUVIR A ENTREVISTA DE ADÃO E SILVA:


31/07/2014

Espírito Santo: a lógica da batata

 


A conversa nos media é que a  limpeza decorrente da queda do grupo Espírito Santo vai abrir um período de  nova estabilidade. Mas este desejo piedoso é o mesmo que cair o pilar duma ponte e pensar que com isso ela fica mais estável. 
  
Em Portugal a lógica é realmente uma batata.

Há quem diga - como Sandro Mendonça, do ISCTE,
num interessante artigo - que os ativos do GES correspondem a 50% do PIB português. A intenção do autor será boa, mas é um exagero.
 

Porém, ainda que fossem apenas 15% do PIB, o impacto do desvio dos ativos do GES/BES para grupos estrangeiros (mesmo que mascarados de nacionais) serão tremendos, em termos de perda de centros de decisão nacionais.

O que, aliás, já se está a verificar: o gigantesco investimento turístico anunciado
na Comporta há cerca de um ano pelo ministro da economia, não vai para a frente. Soube-se hoje que a comissão luxemburguesa de credores disse: STOP.

Segundo outras notícias, o BES poderá perder o controle do BESA para o governo angolano. Ou seja, um banco português investe por décadas largos milhões em Angola, onde disponibiliza um serviço bancário de vanguarda, e poderá ter ZERO como resultado. Paradoxo
chocante: segundo a imprensa, há indícios de que os maiores calotes que levaram à insolvência do BESA foram dados por cidadãos angolanos.

O controle da própria PT, e desta sobre a Oi (recente) poderá também estar em risco. De  lembrar que a Oi é uma grande empresa, mas meio obsoleta - é muito frequente um cliente ligar para um telemóvel ativo e com rede, e receber a resposta "o número encontra-se desligado ou fora de área". Tudo porque esta, como outras operadoras brasileiras, não têm estrutura nem tecnologia adequadas à extensão da clientela e ao vasto território.

Ora a PT - que era uma empresa estatal de raíz e foi desse modo que desenvolveu tecnologia
de ponta e ganhou dimensão internacional, investiu centenas de milhões no Brasil, desde quando adquiriu  50% da VIVO - que aliás, muito beneficiou do know how da PT. E agora? Todo esse investimento, fruto de capitais acumulados pelo esforço de gerações de portugueses quando a PT era totalmente estatal, vai por água abaixo?

O controle do próprio BES-Portugal corre o risco de ir parar a mãos estrangeiras ante os gigantescos prejuízos que Vítor Bento - homem do círculo de Cavaco e da confiança da clique P&P - fez questão de divulgar de imediato. Ora todos sabem que qualquer grande grupo organiza convenientemente a contabilidade de modo a distribuir prejuízos por vários semestres ou entidades externas, sem com isso precisar de infrigir as leis. 


Basicamente, Bento o que faz é o papel dum coveiro que pinta o quadro o mais negro possível, para poder surgir como o salvador da massa falida e criar um choque  que torne irresistível a assunção pelo Estado dos prejuízos. Após a limpeza da parte tóxica, o grupo é entregue limpo aos abutres que entretanto foram aguçando o bico.

Para já, o efeito foi as ações do BES caírem para valores próximos do zero. Excelente jogada para paralisar críticas e tocar a manobra para os fins em vista. Começamos a entender, não é?

Foi com truques destes que nos últimos 40 anos se desmantelaram grandes grupos nacionais e se pôs a economia nas mãos de novos grupos privados.


Podia continuar a análise - a lista de empresas do universo GES é grande.
 
O mais interessante é que toda a gente - da esquerda à direita - critica o escândalo BES pondo sempre o foco exclusivamente na culpa do senhor A, B ou C, assim como no papel dos reguladores, do governo, da oposição ou de Sócrates. É uma preciosa ajuda ao banquete dos abutres que já sobrevoam a presa.

Por mim, aplaudo com as duas mãos a punição dos culpados. 


Não vou é juntar-me ao coro dos inocentes úteis ou dos cúmplices que a maior parte dos críticos constitui. 

A questão de fundo é outra. É a dum barco que levou um rombo, pondo em causa a sua flutuação.

Em vez de se  preocuparem com a salvação do barco e dos passageiros, vociferam "agarrem que é ladrão" e discutem quem foi o maior culpado.

A própria clique P&P através dos seus avençados nos media, ao invés de tapar o buraco logo no primeiro momento, mostrou-se mais preocupada em lançar cortinas de fumo e em atirar responsabilidades para terceiros.

É este o estado autofágico do País, com a politiqueirice fixada na imagem e no seu poderzinho serôdio, pouco importando o naufrágio coletivo anunciado.


Quando os turcos invadiram Constantinopla foi assim. A diferença é apenas que, nesses místicos tempos, o que se discutia era o sexo dos anjos. 

Mas a distração (intencional, as mais das vezes) face às ameaças reais, essa, era idêntica.







21/07/2014

BBC oculta 100.000 nas ruas de Londres por Gaza. E por cá?


É esta a democracia dos grandes media/mídia do sistema capitalista, seja ele menos potente como o português, ou modernaço e hiper financeirizado com dinheiro subterrâneo, como o britânico: UM LIXO.

«Fomos dezenas de milhares a protestar em marcha hoje pelas ruas de Londres, mas essa desgraça que é a BBC ignorou-o completamente. 
Este silenciamento institucional não pode continuar. 
Nós é que os sustentamos, e eles respondem perante nós. 
Partilha para mostrar às pessoas que a marcha aconteceu hoje, e foram 100.000 os que  estiveram lá em solidariedade com Gaza e contra os crimes de guerra israelitas» #CoverUp #Gaza https://twitter.com/ukrespectparty

O CASO ESPÍRITO SANTO E O PAPEL DA BANCA

O jornalista Paulo Pena expõe numa entrevista dados contundentes sobre a promiscuidade entre a banca e o poder político - que é total.

"Os bancos têm a maior responsabilidade na crise ao malbaratarem dinheiro em enormes investimentos não-reprodutivos, como na construção".

Passos Coelho e outros omitem totalmente essa responsabilidade, para manter o mito do "país acima das posses" e o sentimento de culpa na população.

Sem ter a visão um pouco redutora dos autores, considero que eles trazem peças importantes para montar o puzzle final das causas da crise financeira portuguesa.

Clique no link para a entrevista de Paulo Pena, autor do livro BANCOCRACIA:

http://videos.sapo.pt/CJDkopIYCTUTnlYrYwAQ

Já o texto de Pedro Guerreiro revela dados novos e a razão de parte do barulho em torno do Grupo Espírito Santo: há por aí muito ricaço a ficar arruinado. 

Até a imagem da "maravilhosa" Suiça - certamente um dos países venerados pela Economist, pelo governo P&P e por tanta gente míope - fica de rastos: para lá fugiram €30.000 milhões ilegais, de magnatas portugueses, calculando-se que 80% disso venha de FUGA AOS IMPOSTOS. Dava para os juros do resgate da troika em toda a duração do empréstimo.

Outra razão - não mencionada no artigo: grupos económicos afiam a faca para devorar os despojos lucrativos do GES. Anos atrás, o grupo BES enfrentou uma OPA hostil da SONAE, por causa da PT. Essa mesma SONAE que pôs a sua SGPS "ao fresco", na Holanda. Também se fala do interesse do gigante brasileiro Bradesco, o que se entende pela hipótese de vir a controlar a PT e a Oi (é o fabuloso mundo da economia global). Há ainda notícias mostrando interesse da Goldman Sachs.

17/07/2014

DECIFRANDO O QUEBRA-CABEÇAS - parte final

Em Inglês, um artigo revelador, da conhecida publicação britânica Economist

  
The new age of crony capitalism - Political connections have made many people hugely rich in recent years. But crony capitalism may be waning

Tentando uma breve leitura em diagonal, este artigo da Economist critica o "capitalismo de compadres" (do qual é um exemplo bem conhecido o mexicano de origem libanesa Carlos Slim, o "homem mais rico do mundo", dono de telecoms no México e por toda a América latina, além de inúmeros outros negócios). 

A revista considera que este capitalismo de compadrio é praticado numa série de países emergentes -  Ucrânia, Rússia, China, México, Brasil, Índia, Turquia - onde no passado muitos magnatas se produziram à custa de negócios fraudulentos protegidos por políticos corruptos, hoje postos em causa pelos novos ventos que sopram.

"BOM" E "MAU" CAPITALISMO

Então, para a Economist, o "bom capitalismo" seria representado sobretudo pelos norte-americanos e ingleses, e por  esta União Europeia onde "gente virtuosa" no poder estaria decidida a acabar com os privilégios dos antigos "magnatas do compadrio".
 

Será que a Economist pensa em Obama ao atribuir tal intenção? É que há um problemazinho, o próprio presidente dos EUA reconhece que não conseguiu reformar quase nada... veja-se a sua muito tímida tentativa no sistema de saúde, visando mudanças mínimas no  fraudulento e predador capitalismo norte-americano - falhou rotundamente.

Quanto às boas intenções da UE de Merkel, os povos da periferia europeia ocidental conhecem-nas bem, e a destruição da classe média e do Estado social em Portugal e na Grécia são exemplos mais que esclarecedores.  

Diz a publicação que este capitalismo de compadrio baseado em favores do Estado teve uma forte expressão
nos EUA do séc. XIX. Deve ser uma imprecisão da revista, o século dezanove é considerado pelos compêndios um expoente da concorrência perfeita. 

Em conclusão do artigo, o autor apura o seu melhor e mais imaginativo estilo literário, concluindo que:

"O boom que criou uma nova classe de magnatas também criou a sua nemesis.

Há um novo culto  da classe média urbana e dos contribuintes que exige a mudança. 
E isso é algo que tanto os magnatas como os líderes eleitos não podem mais ignorar, a não ser que queiram correr sérios riscos".
 

Em suma: o bonito filme da Economist é o duma nova revolução capitalista em curso nos países emergentes, mas sobretudo nos países ricos, que mete na ordem todos os  velhos monopólios abusivos . 

E o 'happy ending' deste muito imaginativo filme neoliberal seria um hiper-capitalismo de saudável concorrência entre empresas. E, claro, pleno de bondade para com as classes médias...

MÁSCARA SORRIDENTE DA SINISTRA NOVA ORDEM CAPITALISTA

É mais um dos "admiráveis mundos novos" à Aldous Huxley, cuja propaganda ciclicamente o capitalismo engendra, depois de (quase) cair no abismo em cada crise mundial e histórica.

A ver vamos se desta vez consegue sair por cima, como nas anteriores. Por mim, deixo o aviso de que tenho as mais sérias dúvidas. (1)ver justificação em rodapé

A talhe de foice, por falar em Economist,  agora percebo porque Passos Coelho organizou essa encenação da Cimeira/Summit de Fevereiro 2014 em Cascais (onde ele foi aliás o único 1º ministro - uma Summit a solo (!) - peculiaridades da nossa Parvónia...), e percebo porque teve o aval da revista inglesa - nada como juntar clientes da mesma "causa" para classificar como positivos os 3 terríveis anos de saque desenfreado executado pelo grupo P&P sob a batuta da troika.

Passos Coelho, apesar da inexperiência executiva que lhe é atribuída,  mostra o quanto está "por dentro" da boa propaganda ao estilo "nova ordem".
 

Nova ordem onde os grandes tubarões globais arrasam os magnatas à antiga, enquanto  proclamam um imaginário capitalismo cor-de-rosa caído do céu.
 

Você acha que tais proclamações são apenas propaganda? Se respondeu sim, acertou!

Propaganda aliás com contornos sinistros na presente conjuntura, onde a fantasia delirante da Economist é brutalmente contrariada pela realidade do esmagador desemprego jovem, da precaridade, dos salários miseráveis, do criminoso assalto aos fundos dos pensionistas que pagaram toda a vida para os financiar, do não cumprimento dos serviços mínimos na saúde, na educação, nos transportes, na justiça, que o Estado - esvaziado por este capitalismo da nova ordem -  deveria prestar às populações.

Mas não é falsa em relação à ordem antiga - cuja destruição é real.  O terrível "detalhe" é que esta nova ordem é, e será de forma cada vez mais óbvia, muito mais implacável com o povo do que a antiga.

CAVALGAR O TSUNAMI DA CRISE

Para lá do "barulho das luzes de néon" dos falsificadores de serviço nos media, a crua realidade arrasta no tsunami da crise tanto os antigos grupos económicos nacionais como as classes médias e os  trabalhadores, com perda de direitos conquistados ao longo de séculos.  

No fundo, pela propaganda, procura-se esconder o RESULTADO ATERRADOR das políticas em curso - um dos mais violentos saques perpretados na História - em que os países mais ricos (EUA, Europa do norte) saqueiam os outros (3º mundo, ascendentes, Europa do sul), e os grandes tubarões da economia global saqueiam as classes médias e, à boleia, aproveitam para  tomar o lugar dos tais "magnatas do compadrio" agora fragilizados.

Portugal é um excelente exemplo disto. 

A  queda fragorosa do grupo Espírito Santo, não só está permitindo aos habituais capachos mediáticos do novo capitalismo de casino darem-se ares progressistas com críticas ao "velho capitalismo" do GES,  como gerou uma onda de alegria serôdia  naquela esquerda avessa ao raciocínio mas sempre pronta a salivar quando quem controla a agenda mediática lhe lança um biscoito sob a forma de notícia.

Passos Coelho e António Costa logicamente também cavalgam esta onda. 

Na mesma onda flutuam ainda uma série de personagens e grupos que, receosos de se afogarem, marcam já o seu lugar na fila, ávidos dum minuto de fama mediática e  babando à vista duma "promissora carreira" a partir de qualquer plataforma "realista" e "governativa" que lhes seja proposta pelo próximo governante colaboracionista da nova ordem.

Aliás, o  tempo se encarregará de tornar óbvio o papel que cabe a cada  protagonista ou figurante, como António Costa, Ana Drago, Podemos, MAS, 3D, Livre, BE, PCP, Marinho Pinto, etc. etc.

Fiquem calmos, em breve conhecerão o próximo capítulo desta lamentável prestigitação partidário-mediática nacional.

Infelizmente, o relógio corre contra NÓS, PESSOAS, cidadãos comuns.


Porque esta forma de fazer política e de gerir a economia não só não beneficia as classes médias e o povo, como os vai  lançando numa vida cada vez mais medíocre, pobre e sem esperança.  

Mas essa, não é justamente a experiência portuguesa em curso, tal como a irlandesa, a espanhola, a italiana, a grega, a cipriota ?

Este artigo da Economist, se alguma vantagem tem, é a de esclarecer o que os tubarões da nova ordem capitalista dos clubes Bilderberg e cia.
andam a tramar, aqui e no mundo todo. 

O puzzle que permite a sobrevivência de figuras tão improváveis e desclassificadas como Coelho, Cavaco ou Portas, ou esse outro que está por detrás da complexa trama das troikas da UE-FMI, assim como o sentido real dos rearranjos à esquerda e ao centro, começa a decifrar-se. 

O enigma caminha rapidamente para o epílogo.

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(1) Sérias dúvidas de que  as potências capitalistas ricas desta vez possam "dar a volta por cima" como nas anteriores grandes crises históricas.
Essa seria matéria para um outro artigo.

Mas, resumidamente, acredito que estamos perante um novo paradigma em que os emergentes ganham o espaço que lhes é próprio a nível mundial.
Só os cinco BRICS - que recentemente oficializaram o seu próprio e novo FMI -  representam já 65% do crescimento global, e em 2015 pesarão um quarto da economia mundial. 

A única forma de barrar o tsunami económico e social que eles representam é uma nova guerra mundial.
Apenas truques financeiros e medidas predadoras - que são, no fundo, a sórdida realidade por trás da máscara moralista das Economist deste mundo - por mais ardilosos e subterrâneos que sejam, dificilmente impedirão a gigantesca massa de emergentes + 3º Mundo de recuperar a fatia do bolo da riqueza mundial que lhes pertence.



10/07/2014

Israel: 400 toneladas de bombas por dia sobre Gaza

A recente vaga de ataques sionistas na faixa de Gaza é difícil de compreender numa primeira avaliação. Pretenderão dividir mais os muçulmanos chiitas dos sunitas? Testar a atual capacidade da resistência palestiniana? Será um ato provocatório do sionismo ante a nova arrumação de forças no médio oriente que lhe é cada vez mais desfavorável?

É que nada de novo se vinha passando aparentemente na resistência palestiniana, salvo o facto de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana e homem subserviente a Israel, se encontrar cada vez mais desacreditado junto do seu próprio povo (cfr aqui).

Gaza é dominada pelo Hamas, partido aliado dos regimes sunitas do Irão e do sírio Al Assad, Hezbolah do Líbano e sunitas do Iraque. 

A Turquia e o Qatar são também apoiantes do Hamas, o que preocupa o regime sionista e a ditadura militar egípcia, novo aliado de Israel na região.

Grupos chiitas ou sunitas conflituam em vários países, do norte de África ao Paquistão. Aparentemente os EUA e Israel alimentam ora uma ora outra das facções, mantendo-as num permanente estado de guerra fratricida que só favorece os interesses financeiros de perpetuação do sionismo e do império do dólar na região. 

Lembremos que Israel foi fundado artificialmente após a 2ª Guerra Mundial, pela ação de guerrilhas judaicas apoiadas pelo movimento sionista (sobretudo norte-americano) e poderosos interesses financeiros judeus de todo o mundo. 

O pretexto foi a atribuição de um lar aos judeus perseguidos pelo nazismo, mas o verdadeiro interesse era o petróleo, já que eram do médio-oriente as grandes reservas conhecidas, e tendo em vista contrabalançar a força das  novas nações árabes após o fim do colonialismo inglês e francês.

MAPAS: COMO A PALESTINA FOI ENCOLHENDO ATRAVÉS DAS GUERRAS JUDAICO-ÁRABES
http://i.alalam.ir/news/Image/original/2013/11/02/alalam_635190044432435673_25f_4x3.jpg
1946 - Palestina sob protetorado britânico - ínício do terrorismo judaico
1947 - Plano de divisão da  ONU              1948-57- Mandato da ONU    
2012 - Realidade atual após as guerras







Mapa da região
Mapa da faixa de Gaza antes do desmantelamento dos colonatos judeus
A faixa de Gaza tem  cerca de 45 km de comprimento por pouco mais de 5 km de largura, totalizando uma área de 345 km2, menor que a ilha do Pico e pouco maior que o município de Coimbra. Apenas 10% dessa área é arável. 

A população residente é de 1,7 milhões de habitantes, na sua maioria jovens, sobretudo famílias de refugiados palestinianos expulsas à bala e à bomba dos seus territórios ancestrais pelo sionismo judaico após a 2ª Guerra Mundial.

Ali se fixaram sob a proteção do Egipto, antigo detentor do território, que o cedeu exatamente para abrigar os refugiados.

Israel, após as vitórias sobre as nações árabes nas guerras de 1967 e 1973, aceitou coexistir com os territórios palestinianos remanescentes - Cisjordânia e Gaza - mas tratou logo de instalar abusivamente lá dentro colonatos judeus e tropas que perseguem constantemente os palestinianos, além dum alto muro que lhes dá o controle de todas as saídas e entradas.

Após os acordos de Oslo entre a OLP de Arafat e Israel de Begin (1993), os colonatos judeus são desmantelados em Gaza e o território fica sob a alçada da Autoridade Palestiniana com sede na Cisjordânia.

O partido sunita Hamas ganhou porém todas as eleições no território e declara não aceitar o atual Estado de Israel.

Houve posteriores invasões militares terrestres e aéreas israelitas com pretextos anti-terroristas, enfrentando em Gaza uma resistência cada vez mais organizada que provoca significativas baixas a Israel

Por isso,  a tática israelita mudou e passou a privilegiar a vigilância e intimidação através de  drones e ataques aéreos cirúrgicos que fazem dezenas de mortos civis.

A resposta do Hamas tem sido lançar foguetes rudimentares sobre Israel, o que de pouco mais serve que para dar pretextos ao Estado sionista que facilmente os intercepta no ar.

As agressões sionistas ignoram as resoluções da ONU e mantêm sequestrados na sua própria terra os palestinianos ao controlar-lhes as fronteiras, bloqueando as vias aéreas e marítimas assim como as telecomunicações, enquanto os espia, bombardeia e aterroriza de forma ilegal e impiedosa.

A tragédia do povo palestiniano não pode deixar indiferente qualquer pessoa civilizada e minimamente sensível.