21/07/2014

BBC oculta 100.000 nas ruas de Londres por Gaza. E por cá?


É esta a democracia dos grandes media/mídia do sistema capitalista, seja ele menos potente como o português, ou modernaço e hiper financeirizado com dinheiro subterrâneo, como o britânico: UM LIXO.

«Fomos dezenas de milhares a protestar em marcha hoje pelas ruas de Londres, mas essa desgraça que é a BBC ignorou-o completamente. 
Este silenciamento institucional não pode continuar. 
Nós é que os sustentamos, e eles respondem perante nós. 
Partilha para mostrar às pessoas que a marcha aconteceu hoje, e foram 100.000 os que  estiveram lá em solidariedade com Gaza e contra os crimes de guerra israelitas» #CoverUp #Gaza https://twitter.com/ukrespectparty

ALGUNS "DETALHES" DO CASO ESPÍRITO SANTO

Transcrevo, porque é esclarecedor - não porque concorde com tudo.

Mas o texto revela dados novos e a razão de parte do barulho em torno do Grupo Espírito Santo: há por aí muito ricaço a ficar arruinado. 

Até a imagem da "maravilhosa" Suiça - certamente um dos países venerados pela Economist, pelo governo P&P e por tanta gente míope - fica de rastos: para lá fugiram €30.000 milhões ilegais, de magnatas portugueses, calculando-se que 80% disso venha de FUGA AOS IMPOSTOS. Dava para os juros do resgate da troika em toda a duração do empréstimo.

Outra razão - não mencionada no artigo: grupos económicos afiam a faca para devorar os despojos lucrativos do GES. Anos atrás, o grupo BES enfrentou uma OPA hostil da SONAE, por causa da PT. Essa mesma SONAE que pôs a sua SGPS "ao fresco", na Holanda. Também se fala do interesse do gigante brasileiro Bradesco, o que se entende pela hipótese de vir controlar a PT e a Oi (é o fabuloso mundo da economia global).

Voltando ao GES, se fossem somente os pobres e a classe média a perder (ou a ganhar), não assistíamos de certeza a tanto fogo de artifício que se vê por aí.
________________________________________________

Opinião
Escândalo GES chega à Suíça – ou quando os ricos ficam pobres
Não foram só as Bolsas, outra razão apressou a sucessão no BES: antecipar-se ao iminente colapso do GES. Pois bem, ele começou. Como o Expresso hoje revela, já há “default” na Suíça. Há clientes que não estão a receber o dinheiro aplicado. Há uma minoria do país que vai deixar de ser silenciosa. Pobres ricos.
(...) Muitos credores da ES International vão perder dinheiro. Muitos nem sabiam que eram credores.
A Portugal Telecom é um caso muito evidente, porque é uma empresa grande. Mas o veneno do papel comercial da ES International está disperso por centenas de carteiras de investimento. 
(...)
Muitos deles [clientes] são… portugueses.
O Grupo Espírito Santo não é dono só um de banco, o BES. É dono também de um banco na Suíça, o Banque Privée Espírito Santo. É um banco que gere grandes fortunas e que tem muitos clientes portugueses. Nos últimos anos, o banco ganhou ainda mais clientes, porque muita gente teve medo do fim da moeda única e tirou dinheiro não só do país como da zona euro. E a velha Suíça, que inexplicavelmente tem boa fama embora preste os mais opacos serviços financeiros da Europa, acolheu fortunas imensas. E sim, também há fortunas imensas portuguesas. Onde investiu o Banque Privée esse dinheiro? Numa série de títulos. Incluindo em papel comercial do GES, que agora está em “default”. Em incumprimento. Chama-se calote.
Clientes do Banco Espírito Santo em Portugal transferiram dinheiro para o Banque Privée Espírito Santo na Suíça que foi investido na Espírito Santo International, que está falida.
(...)
Muita gente achará que é bem feito, os ricos que se lixem. É uma visão errada: a frase “a justiça deve ser igual para todos” também se aplica na lógica inversa à habitual. Mas não deixa de ser irónico que quem tenha querido fugir do risco de o euro desaparecer perca agora dinheiro; e que quem veja na Suíça um porto seguro perceba que a Suíça é uma casa onde senhoras de boa fama praticam atos de mulheres de má fama. Como dizia há mês e meio neste jornal Gabriel Zucman, autor do livro "A Riqueza Oculta das Nações", há €30 mil milhões de portugueses na Suíça. 80% desse dinheiro será, estima ele, de evasão fiscal. Se parte do dinheiro que agora for perdido por clientes do Banque Privée foi não declarado, então sim há um certo sentido de justiça: quem o perder nem vai poder reclamá-lo, pois é dinheiro que, para fugir aos impostos (se não a outra coisa), saiu por debaixo da mesa.
Talvez agora se comece a perceber a dimensão do que está a acontecer no GES, que vai avançar para um processo de reestruturação, que inclui a venda de ativos e a consolidação de passivos da ES International e da RioForte. O processo pode ser controlado, o dinheiro aplicado não vai ser todo perdido, mas sê-lo-á em grande parte, num processo que durará tempo. O caso só não é pior porque o Banco de Portugal protegeu os clientes que compraram papel comercial da ESI através do BES (nomeadamente da gestora de fundos ESAF). Senão, já teríamos bidões a arder na avenida da Liberdade. Assim, teremos processos judiciais. E teremos muitas famílias ricas a perder fortunas. Muitas não fizeram nada de mal. Apenas confiaram no nome Espírito Santo.
Ainda hoje não se sabe bem a totalidade do buraco do Grupo Espírito Santo, mas sabe-se que a dívida em papel comercial ultrapassa os seis mil milhões de euros. Os acionistas do GES (família mas não só) perderão muito dinheiro. Credores como a Portugal Telecom, a Venezuela e clientes do Banque Privée com títulos da ESI perderão dinheiro. Muitos ainda desconhecidos também. O próprio BES também perderá crédito concedido ao grupo, mas num valor suficiente para lhe resistir.
A sucessão vira a página no BES, mas a família Espírito Santo enfrenta muito mais que a desonra. Enfrenta prejuízos. No BES e no GES estamos a assistir uma mudança histórica, mas em fases diferentes. No BES é o fim do princípio, no GES é o princípio do fim. O BES gere pela vida, o GES luta contra a morte. Virou massa falida.

17/07/2014

DECIFRANDO O QUEBRA-CABEÇAS - parte final

Em Inglês, um artigo revelador, da conhecida publicação britânica Economist

  
The new age of crony capitalism - Political connections have made many people hugely rich in recent years. But crony capitalism may be waning

Tentando uma breve leitura em diagonal, este artigo da Economist critica o "capitalismo de compadres" (do qual é um exemplo bem conhecido o mexicano de origem libanesa Carlos Slim, o "homem mais rico do mundo", dono de telecoms no México e por toda a América latina, além de inúmeros outros negócios). 

A revista considera que este capitalismo de compadrio é praticado numa série de países emergentes -  Ucrânia, Rússia, China, México, Brasil, Índia, Turquia - onde no passado muitos magnatas se produziram à custa de negócios fraudulentos protegidos por políticos corruptos, hoje postos em causa pelos novos ventos que sopram.

"BOM" E "MAU" CAPITALISMO

Então, para a Economist, o "bom capitalismo" seria representado sobretudo pelos norte-americanos e ingleses, e por  esta União Europeia onde "gente virtuosa" no poder estaria decidida a acabar com os privilégios dos antigos "magnatas do compadrio".
 

Será que a Economist pensa em Obama ao atribuir tal intenção? É que há um problemazinho, o próprio presidente dos EUA reconhece que não conseguiu reformar quase nada... veja-se a sua muito tímida tentativa no sistema de saúde, visando mudanças mínimas no  fraudulento e predador capitalismo norte-americano - falhou rotundamente.

Quanto às boas intenções da UE de Merkel, os povos da periferia europeia ocidental conhecem-nas bem, e a destruição da classe média e do Estado social em Portugal e na Grécia são exemplos mais que esclarecedores.  

Diz a publicação que este capitalismo de compadrio baseado em favores do Estado teve uma forte expressão
nos EUA do séc. XIX. Deve ser uma imprecisão da revista, o século dezanove é considerado pelos compêndios um expoente da concorrência perfeita. 

Em conclusão do artigo, o autor apura o seu melhor e mais imaginativo estilo literário, concluindo que:

"O boom que criou uma nova classe de magnatas também criou a sua nemesis.

Há um novo culto  da classe média urbana e dos contribuintes que exige a mudança. 
E isso é algo que tanto os magnatas como os líderes eleitos não podem mais ignorar, a não ser que queiram correr sérios riscos".
 

Em suma: o bonito filme da Economist é o duma nova revolução capitalista em curso nos países emergentes, mas sobretudo nos países ricos, que mete na ordem todos os  velhos monopólios abusivos . 

E o 'happy ending' deste muito imaginativo filme neoliberal seria um hiper-capitalismo de saudável concorrência entre empresas. E, claro, pleno de bondade para com as classes médias...

MÁSCARA SORRIDENTE DA SINISTRA NOVA ORDEM CAPITALISTA

É mais um dos "admiráveis mundos novos" à Aldous Huxley, cuja propaganda ciclicamente o capitalismo engendra, depois de (quase) cair no abismo em cada crise mundial e histórica.

A ver vamos se desta vez consegue sair por cima, como nas anteriores. Por mim, deixo o aviso de que tenho as mais sérias dúvidas. (1)ver justificação em rodapé

A talhe de foice, por falar em Economist,  agora percebo porque Passos Coelho organizou essa encenação da Cimeira/Summit de Fevereiro 2014 em Cascais (onde ele foi aliás o único 1º ministro - uma Summit a solo (!) - peculiaridades da nossa Parvónia...), e percebo porque teve o aval da revista inglesa - nada como juntar clientes da mesma "causa" para classificar como positivos os 3 terríveis anos de saque desenfreado executado pelo grupo P&P sob a batuta da troika.

Passos Coelho, apesar da inexperiência executiva que lhe é atribuída,  mostra o quanto está "por dentro" da boa propaganda ao estilo "nova ordem".
 

Nova ordem onde os grandes tubarões globais arrasam os magnatas à antiga, enquanto  proclamam um imaginário capitalismo cor-de-rosa caído do céu.
 

Você acha que tais proclamações são apenas propaganda? Se respondeu sim, acertou!

Propaganda aliás com contornos sinistros na presente conjuntura, onde a fantasia delirante da Economist é brutalmente contrariada pela realidade do esmagador desemprego jovem, da precaridade, dos salários miseráveis, do criminoso assalto aos fundos dos pensionistas que pagaram toda a vida para os financiar, do não cumprimento dos serviços mínimos na saúde, na educação, nos transportes, na justiça, que o Estado - esvaziado por este capitalismo da nova ordem -  deveria prestar às populações.

Mas não é falsa em relação à ordem antiga - cuja destruição é real.  O terrível "detalhe" é que esta nova ordem é, e será de forma cada vez mais óbvia, muito mais implacável com o povo do que a antiga.

CAVALGAR O TSUNAMI DA CRISE

Para lá do "barulho das luzes de néon" dos falsificadores de serviço nos media, a crua realidade arrasta no tsunami da crise tanto os antigos grupos económicos nacionais como as classes médias e os  trabalhadores, com perda de direitos conquistados ao longo de séculos.  

No fundo, pela propaganda, procura-se esconder o RESULTADO ATERRADOR das políticas em curso - um dos mais violentos saques perpretados na História - em que os países mais ricos (EUA, Europa do norte) saqueiam os outros (3º mundo, ascendentes, Europa do sul), e os grandes tubarões da economia global saqueiam as classes médias e, à boleia, aproveitam para  tomar o lugar dos tais "magnatas do compadrio" agora fragilizados.

Portugal é um excelente exemplo disto. 

A  queda fragorosa do grupo Espírito Santo, não só está permitindo aos habituais capachos mediáticos do novo capitalismo de casino darem-se ares progressistas com críticas ao "velho capitalismo" do GES,  como gerou uma onda de alegria serôdia  naquela esquerda avessa ao raciocínio mas sempre pronta a salivar quando quem controla a agenda mediática lhe lança um biscoito sob a forma de notícia.

Passos Coelho e António Costa logicamente também cavalgam esta onda. 

Na mesma onda flutuam ainda uma série de personagens e grupos que, receosos de se afogarem, marcam já o seu lugar na fila, ávidos dum minuto de fama mediática e  babando à vista duma "promissora carreira" a partir de qualquer plataforma "realista" e "governativa" que lhes seja proposta pelo próximo governante colaboracionista da nova ordem.

Aliás, o  tempo se encarregará de tornar óbvio o papel que cabe a cada  protagonista ou figurante, como António Costa, Ana Drago, Podemos, MAS, 3D, Livre, BE, PCP, Marinho Pinto, etc. etc.

Fiquem calmos, em breve conhecerão o próximo capítulo desta lamentável prestigitação partidário-mediática nacional.

Infelizmente, o relógio corre contra NÓS, PESSOAS, cidadãos comuns.


Porque esta forma de fazer política e de gerir a economia não só não beneficia as classes médias e o povo, como os vai  lançando numa vida cada vez mais medíocre, pobre e sem esperança.  

Mas essa, não é justamente a experiência portuguesa em curso, tal como a irlandesa, a espanhola, a italiana, a grega, a cipriota ?

Este artigo da Economist, se alguma vantagem tem, é a de esclarecer o que os tubarões da nova ordem capitalista dos clubes Bilderberg e cia.
andam a tramar, aqui e no mundo todo. 

O puzzle que permite a sobrevivência de figuras tão improváveis e desclassificadas como Coelho, Cavaco ou Portas, ou esse outro que está por detrás da complexa trama das troikas da UE-FMI, assim como o sentido real dos rearranjos à esquerda e ao centro, começa a decifrar-se. 

O enigma caminha rapidamente para o epílogo.

___________________________________________


(1) Sérias dúvidas de que  as potências capitalistas ricas desta vez possam "dar a volta por cima" como nas anteriores grandes crises históricas.
Essa seria matéria para um outro artigo.

Mas, resumidamente, acredito que estamos perante um novo paradigma em que os emergentes ganham o espaço que lhes é próprio a nível mundial.
Só os cinco BRICS - que recentemente oficializaram o seu próprio e novo FMI -  representam já 65% do crescimento global, e em 2015 pesarão um quarto da economia mundial. 

A única forma de barrar o tsunami económico e social que eles representam é uma nova guerra mundial.
Apenas truques financeiros e medidas predadoras - que são, no fundo, a sórdida realidade por trás da máscara moralista das Economist deste mundo - por mais ardilosos e subterrâneos que sejam, dificilmente impedirão a gigantesca massa de emergentes + 3º Mundo de recuperar a fatia do bolo da riqueza mundial que lhes pertence.



10/07/2014

Israel: 400 toneladas de bombas por dia sobre Gaza

A recente vaga de ataques sionistas na faixa de Gaza é difícil de compreender numa primeira avaliação. Pretenderão dividir mais os muçulmanos chiitas dos sunitas? Testar a atual capacidade da resistência palestiniana? Será um ato provocatório do sionismo ante a nova arrumação de forças no médio oriente que lhe é cada vez mais desfavorável?

É que nada de novo se vinha passando aparentemente na resistência palestiniana, salvo o facto de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana e homem subserviente a Israel, se encontrar cada vez mais desacreditado junto do seu próprio povo (cfr aqui).

Gaza é dominada pelo Hamas, partido aliado dos regimes sunitas do Irão e do sírio Al Assad, Hezbolah do Líbano e sunitas do Iraque. 

A Turquia e o Qatar são também apoiantes do Hamas, o que preocupa o regime sionista e a ditadura militar egípcia, novo aliado de Israel na região.

Grupos chiitas ou sunitas conflituam em vários países, do norte de África ao Paquistão. Aparentemente os EUA e Israel alimentam ora uma ora outra das facções, mantendo-as num permanente estado de guerra fratricida que só favorece os interesses financeiros de perpetuação do sionismo e do império do dólar na região. 

Lembremos que Israel foi fundado artificialmente após a 2ª Guerra Mundial, pela ação de guerrilhas judaicas apoiadas pelo movimento sionista (sobretudo norte-americano) e poderosos interesses financeiros judeus de todo o mundo. 

O pretexto foi a atribuição de um lar aos judeus perseguidos pelo nazismo, mas o verdadeiro interesse era o petróleo, já que eram do médio-oriente as grandes reservas conhecidas, e tendo em vista contrabalançar a força das  novas nações árabes após o fim do colonialismo inglês e francês.

MAPAS: COMO A PALESTINA FOI ENCOLHENDO ATRAVÉS DAS GUERRAS JUDAICO-ÁRABES
http://i.alalam.ir/news/Image/original/2013/11/02/alalam_635190044432435673_25f_4x3.jpg
1946 - Palestina sob protetorado britânico - ínício do terrorismo judaico
1947 - Plano de divisão da  ONU              1948-57- Mandato da ONU    
2012 - Realidade atual após as guerras







Mapa da região
Mapa da faixa de Gaza antes do desmantelamento dos colonatos judeus
A faixa de Gaza tem  cerca de 45 km de comprimento por pouco mais de 5 km de largura, totalizando uma área de 345 km2, menor que a ilha do Pico e pouco maior que o município de Coimbra. Apenas 10% dessa área é arável. 

A população residente é de 1,7 milhões de habitantes, na sua maioria jovens, sobretudo famílias de refugiados palestinianos expulsas à bala e à bomba dos seus territórios ancestrais pelo sionismo judaico após a 2ª Guerra Mundial.

Ali se fixaram sob a proteção do Egipto, antigo detentor do território, que o cedeu exatamente para abrigar os refugiados.

Israel, após as vitórias sobre as nações árabes nas guerras de 1967 e 1973, aceitou coexistir com os territórios palestinianos remanescentes - Cisjordânia e Gaza - mas tratou logo de instalar abusivamente lá dentro colonatos judeus e tropas que perseguem constantemente os palestinianos, além dum alto muro que lhes dá o controle de todas as saídas e entradas.

Após os acordos de Oslo entre a OLP de Arafat e Israel de Begin (1993), os colonatos judeus são desmantelados em Gaza e o território fica sob a alçada da Autoridade Palestiniana com sede na Cisjordânia.

O partido sunita Hamas ganhou porém todas as eleições no território e declara não aceitar o atual Estado de Israel.

Houve posteriores invasões militares terrestres e aéreas israelitas com pretextos anti-terroristas, enfrentando em Gaza uma resistência cada vez mais organizada que provoca significativas baixas a Israel

Por isso,  a tática israelita mudou e passou a privilegiar a vigilância e intimidação através de  drones e ataques aéreos cirúrgicos que fazem dezenas de mortos civis.

A resposta do Hamas tem sido lançar foguetes rudimentares sobre Israel, o que de pouco mais serve que para dar pretextos ao Estado sionista que facilmente os intercepta no ar.

As agressões sionistas ignoram as resoluções da ONU e mantêm sequestrados na sua própria terra os palestinianos ao controlar-lhes as fronteiras, bloqueando as vias aéreas e marítimas assim como as telecomunicações, enquanto os espia, bombardeia e aterroriza de forma ilegal e impiedosa.

A tragédia do povo palestiniano não pode deixar indiferente qualquer pessoa civilizada e minimamente sensível.




01/07/2014

BES: começa a ruir o mito "em Portugal a crise não é da banca"

Ana Gomes (AG), eurodeputada do PS, falando à antena pública, põe "de caixão à cova" toda a mentira longamente montada pela direita de que a crise em Portugal não é devida essencialmente ao sistema bancário.

AG põe a nu nomeadamente o papel de Ricardo Salgado - líder do Banco Espírito Santo - na vinda da troika, lembrando as suas declarações de que ela viria "ajudar o país", posição logo secundada por toda uma corja de comentadores e políticos sem vergonha.

AG foca as ligações do BES a uma série de interesses em Portugal, como criador de empregos graúdos ou nas famigeradas PPPs, sugerindo mesmo que o lugar dos principais responsáveis do BES seria na prisão dada a gravidade da prolongada mistificação das contas do grupo que neste momento tem um buraco na ordem dos 8.000 milhões de euros, se considerarmos não só o BES Portugal, como o BES Angola, país cujo Governo irá cobrir o prejuízo do BESA em troca da sua nacionalização, segundo os jornais de hoje.

As últimas notícias apontam também para que o regime venezuelano possa ser a tábua de salvação do BES, a par da PT, trocando os seus créditos no banco por um aumento da participação no capital do mesmo.

Entretanto as agências da Wall Street - que sempre arranjam forma de camuflar as fraudes bilionárias da sua alta finança - aproveitaram de imediato para enterrar o BES, o que mostra que o desmoronamento da alta finança portuguesa interessa à alta finança internacional para ganhar posições.

Estejamos atentos. Muitas ligações até hoje escondidas estão a destapar-se - como os  comentadores tipo MST que criticam tudo menos o papel do BES no regime - como bem reparava um membro dos "Gato Fedorento", assim como o papel da televisão SIC mantendo esses tendenciosos comentadores em "prime time", sem contraditório, além do evidente apoio que presta a António Costa na tentativa em curso para alterar a linha do PS.

Na verdade, é quando as grandes pedras do regime começam a esboroar-se que se percebem as contradições dos principais partidos, afinal pouco mais que arietes desses mesmos interesses, e os compromissos dos vários grupos e personagens dentro destas (podres) pedras angulares do regime.

Nota: Ao citar AG, é bom que se entenda que não quero fazer dela a "salvadora da pátria" - quem se mantém num PS tão conivente com o regime não o poderia ser, já não falando do seu passado no MRPP do qual - que se saiba - nunca se autocriticou. Mas essencialmente é lamentável que AG cite as autoridades britânicas e norte-americanas como garantes da legalidade -  é como alguém ser agnóstico ou budista, mas citar o tribunal da "Santa Inquisição" como garante em matéria religiosa. 
O que não invalida as revelações importantes que AG traz a lume.  

Pode conferir a entrevista de Ana Gomes AQUI.

20/06/2014

Depois da Síria, a guerra civil estende-se ao Iraque

menino-guerra-síria-200x144
"Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus" - diz criança síria ferida

A guerra na Síria, mas não só na Síria, também no Iraque (agora reacendida de forma brutal), no Egipto, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Sudão, na Somália, enfim, em todo o Médio Oriente e África do Norte, é uma acumulação de barbaridades e genocídios intermináveis.

Não cabe uma análise simplória, de que a culpa é deste ou daquele.

Por isso não vou culpar apenas os fundamentalistas boçais (há-os de vários lados - sunitas, chiitas, judeus, cristãos...), nem o "imperialismo americano" ou outros imperialismos, porque estas regiões já tinham problemas antes da intervenção americana no Iraque.

Mas, no mínimo, é lícito responsabilizar as maiores potências económicas e militares mundiais pela sua omissão ao não apoiarem estas regiões no seu desenvolvimento, única base segura para que os fundamentalistas e outras máfias deixem de ter espaço para medrar.

Não esquecendo, claro, a brutal intervenção militar de americanos e ingleses (com a assessoria do nefando Barroso e do aldrabão Aznar) no Iraque e, mais tarde, na Líbia, e essa fonte  permanente de problemas que é o artificial e agressivo Estado de Israel incrustado em terreno árabe e sempre concatenado com o pior belicismo Ianque.


13/06/2014

Os movimentos anti-homofobia, racismo, etnicismo, etc. e o seu aproveitamento pelo capitalismo

Considero-me uma pessoa de espírito aberto.

Já estou a ver a crítica: "e daí, os maiores racistas e homofóbicos dizem o mesmo".


Em Bratislava, homens carregam cartaz pelos direitos humanos: atualmente paradas gays mobilizam milhões de pessoas nos cinco continentes. A de São Paulo é considerada a maior do mundo
Foto: AFPmarcha


Mas não comigo, eu tenho provas. Logo aos 18 anos, mesmo sem perceber nada de política, aconteceu-me ir dar, por breves 3 meses, aulas no interior de Angola, quando esse território era ainda uma colónia portuguesa.

Na escola onde lecionei, encontrei os meninos e meninas sentadinhos "espontaneamente" da seguinte forma: brancos nas primeiras filas, negros nas de trás. Achei absurdo e tratei imediatamente de os distribuir por ordem alfabética. Ficaram todos misturados, e o ambiente da classe foi sempre ótimo.

Havia também um menino/a que era hermafrodita, ou seja, tinha nascido com órgãos sexuais masculinos e femininos simultaneamente. Só o soube, porque os pais acharam por bem (avisadamente) prevenir-me e informar que mais tarde, quando atingisse a maturidade, ele/ela faria uma operação para definir o sexo. Mesmo não sabendo nada do assunto, tratei de integrá-l@ na classe com toda a normalidade. E foi tão bem, que hoje já nem me lembro dele/a nos meses seguintes, sinal de que era uma criança normal sem o menor problema.

Tive na vida múltiplas situações em que apoiei, com prejuízos pessoais, pessoas negras e de várias minorias contra preconceitos.

Na escola onde lecionei a maior parte da vida, por algum motivo ou coincidência, havia uma concentração invulgar  de professores homossexuais. Tanto que alguns deles chegaram a dirigir a escola. Igualmente tive alunos/as homossexuais ao longo da vida. Para que conste, posso apenas dizer que das pessoas com quem trabalhei toda a vida, alguns homossexuais foram dos mais inteligentes e sensíveis. Dois dos meus colegas, supostamente homossexuais, eram meus amigos pessoais. Por triste coincidência, há bastantes anos atrás, ambos morreram em circunstâncias trágicas, o que me deixou chocado.

Por tudo isso, sinto-me à vontade para fazer a análise que segue.

O sistema, e quem nele manda nos vários países, já percebeu que explorar as fobias raciais, sexuais, étnicas, etc. mas também, ATENÇÃO, os movimentos CONTRA essas fobias, é um filão inesgotável. E excelente para desviar as atenções.

Foi por isso, aliás, que puseram um negro na presidência dos EUA. Ou pensam que foi por acaso? Santa ingenuidade...

Já pensaram, um presidente branco a dizer de peito cheio e voz pomposa, como o Obama fez: "A Rússia é uma mera potência regional que agride os seus vizinhos".


Ou seja, por outra forma, "nós, EUA, somos a potência global com um arsenal maior que todo mundo junto, mas somos os «bonzinhos»". Que importa se a CIA ou outro departamento dos EUA  (todos sob a administração Obama, ou não? ...), segundo dados PÚBLICOS de fontes oficiais, investiu largos milhões nos movimentos neonazis ucranianos para derrubar o Ianukovich? Mas claro, os media corporativos omitem-no, e só falam nas manigâncias do Putin no leste da Ucrânia... (Cfr http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=688277 ou
http://www.portugues.larouchepub.com/outrosartigos/2014/0202-ukraine_nazi_coup.html)

Já pensaram, se o presidente fosse um branco, era uma barbaridade. Assim, "tudo numa boa"... Que grande golpe propagandístico, o "negro" Obama na presidência!

Em Londres - um dos centros mundiais do sistema capitalista parasitário, as paredes do Metro estão cheias de cartazes de associações gays/lésbicas alertando contra a homofobia. Mas que progressistas, os "british"... e que bem tolerados são os gays pelo centro mundial capitalista, com direito a publicidade milionária no "tube" londrino, vista diariamente por milhões de pessoas!


Londres já era, nos anos 60, uma Meca dos gays. Qualquer pessoa informada o sabe. Falar de homofobia ali hoje, é de rebolar no chão a rir... mas percebe-se este uso da publicidade no Metro, convém marcar a posição do lóbi gay num centro mundial, não é? (lá vou eu ser incinerado pelas ligas LGBT por dizer isto ...)

A verdade é que, enquanto o pagode andar distraído com os (reais ou imaginários) racismos, sexismos, fobismos, nacionalismos, etc., vai-se estupidificando cada vez mais e perdendo o fio condutor da QUESTÃO FULCRAL: o sistema capitalista mundial, e como ele funciona.

Isto, já não falando nas taras futebolísticas e nos nacionalismos de mão posta no coração quando toca o hino, com que somos bombardedos por exemplo na Copa - esses, mais primários, e destinados à "ralé" do sistema, como diria o grande linguísta e politólogo (judeu americano) Noam Chomsky.


Enfim, caminhando e andando... (para onde, eis a questão)