20/05/2015

O CAPITALISMO É UM CORPO ORGÂNICO...

.... INFILTRADO  NO "CORPO" SOCIAL


Provavelmente não encontrará as ideias seguintes em nenhum livro.
Descobri-o através das lutas sociais onde estive envolvido, e da análise do comportamento de pessoas, grupos e instituições. E de como quase todos caem nas armadilhas e engodos lançados pelo sistema.

Já se perdeu a conta aos profetas da queda do capitalismo após cada grande crise.
A verdade é que ele renasceu sempre sob novas formas, mais forte e enganoso do que antes.

Concluo então o seguinte.
O capitalismo não é apenas um esquema sobreposto ao corpo social e estranho a ele.

O capitalismo é orgânico, como o cancro.
Entranha-se no corpo social e, de cada vez que é atacado com um remédio, logo desenvolve células de novo tipo que envolvem e estrangulam ainda mais  esse corpo....

É por isso que o capitalismo é orgânico. Não uma realidade estranha, sobreposta ao "corpo" social.
 

Coisa que a esquerda convencional em geral não entende.

Menos ainda o entendem os conspirativistas de direita (que reduzem os males do mundo à ação dum grupo de malvados, sejam políticos corruptos, seja a "máfia da UE" ou a família Rotschild). Ou,pior ainda, culpam os próprios cidadãos dos saques e desgaste a que eles-mesmos são sujeitos.

É por isso que falham no combate aos males do sistema.



O MARXISMO

Não estão em causa as intenções revolucionárias de Marx, nem a importância do seu extenso contributo para a compreensão da sociedade humana. Nem tãopouco que, na altura em que Marx e Engels criaram a teoria do materialismo dialéctico e dos modos de produção, definindo a História como uma sucessão de tais sistemas ,determinada pela luta de classes entre proprietários e não-proprietários dos meios de produção, o marxismo e os complementos doutrinários de Lenine e outros seguidores, não fossem duma importância crucial no desenrolar de revoluções que marcaram profundamente a História.

O problema é adotar perante tais doutrinas uma atitude contemplativa-religiosa, transformando-as em axiomas intocáveis, algo que é oposto ao método científico, método que obriga a colocar continuamente em causa e a testar toda e qualquer tese, por mais sólida que pareça.

A mecânica newtoniana da força de gravidade e do equilíbrio dos corpos celestes parecia duma solidez inabalável. Já não falando nos ensinamentos aristotélicos ou dos teólogos católicos medievais que precederam Newton.

Mas com Einstein tal visão foi derrubada e substituída pela Física Quântica com base na teoria da Relatividade. E na atualidade esta doutrina é já questionada pela Física dos fractais e outras novas teorias.

Seria absurdo pensar que numa área muito mais complexa como a área do social a ciência fosse diferente e as teorias tivessem congelado, não se movendo um centímetro.

O problema do marxismo é que é uma doutrina extremamente abstracta que desenvolveu um reportório complexo de conceitos nos quais se reproduz, isto é, vai criando conceitos cada vez complexos a partir de conceitos originais já de si bastante abstractos e complexos. Mesmo que as sucessivas apresentações dos seguidores lhes dêem um ar simples.

Um exemplo crucial na doutrina de Marx é a luta de classes como motor da História.
Ainda que alguns marxistas atuais neguem que esse seja um conceito central, ou que seja exatamente isso que Marx disse.

A verdade é que toda a construção marxista assenta nessa ideia, a da contradição entre o modo de produção e as forças produtivas, considerando que estas, a certa altura, já não cabem na camisa de forças do modo produção vigente, e será isso que explica a evolução (revolucionária) dum modo de produção dominante para outro, ao longo da História.

Modo de produção é a forma como está organizada a produção, não apenas no aspecto técnico mas também no aspecto social, tendo em conta o tipo de propriedade e as relações entre pessoas e grupos no âmbito do processo de produção. Tudo depende da propriedade dos meios de produção, que determina a composição e natureza das classes - segundo Marx.


Ou seja, o que determina a classe de alguém é  se possui ou não meios de produção, e por consequência, a forma e nível de apropriação dos frutos da produção.

Assim, toda a mecânica social, segundo Marx, é baseada na questão da apropriação da "riqueza"

A verdade é - superando a linguagem marxista estereotipada - que Marx parte duma realidade efetiva, a territorialidade do ser humano (como aliás de qualquer outra espécie, todo o ser vivo precisa dum território de suporte para viver) mas Marx considera essa territorialidade como algo puramente material logo, no fundo, tudo não passa duma luta económica, duma luta pela posse de território material.

A verdade porém é que às espécies, incluindo o Homem, não se coloca apenas ou quiçá essencialmente (pelo menos nos tempos atuais) a necessidade dum território material para viverem e se reproduzirem. Há outros mecanismos, entre eles o domínio sobre os seus semelhantes ou sobre outras espécies.


Assim como o domínio do saber, da técnica, e doutras formas de energia em que provavelmente Marx nem pensou.
Formas que remetem para laços de vários tipos que estão para lá duma territorialidade puramente física.

Talvez aqui estejam pistas para um nova teoria social mais complexa, flexível e abrangente, por analogia com a evolução para a visão quântica e fractal noutras áreas científicas. Em detrimento de visões fixistas que consideram certas teorias como intocáveis e sagradas.

Daí a dificuldade de combater o sistema capitalista e perceber finalmente que ele não é um mal imposto de forma externa à humanidade, ele entranhou-se no sistema social humano contaminando-o, ao ponto de ser difícil perceber onde começa a natureza humana e acaba a cobiça, a ambição desmedida e o egoísmo inculcados pelo capitalismo.

AS DOUTRINAS CONSPIRATIVAS

As doutrinas conspirativas, que reduzem a dinâmica social à ação perniciosa duns quantos sujeitos "malvados" como os Rotschilds, são ainda mais primitivas que o esquema marxista da luta de classes pelos bens materiais. Mas tornam-se atraentes porque fornecem explicações directas para os acontecimentos. Por exemplo, o 11/9 e o atentado às Torres Gémeas teriam sido fruto dum golpe da CIA combinada com a dinastia saudita. Ou a revolução russa só teria logrado sucesso porque foi financiada pelos Rotschild.


Mesmo que haja alguma verdade nessas interpretações, elas são extremamente redutoras, para não dizer surreais, sobretudo no caso russo.

Segundo estas visões, os primeiros homens da família Rotschild trataram de produzir uma extensa prole, não perdendo oportunidade para procriar com qualquer mulher, incluindo criadas, amantes, etc. Tudo para deixar o máximo de descendentes, de quem esperavam obter a defesa dos interesses da família, mesmo tratando-se de filhos ilegítimos.

Se o derrube de um prédio - simples estrutura material - pode ser resultado duma conspiração, já o desmantelamento dum Estado é fruto duma longa e complexa evolução que envolve todos os agentes sociais e exige forças muito complexas.

Só o longo processo de construção e consolidação do PCUS na sociedade semi-feudal russa deu origem a vários compêndios de História.
Imagine-se a revolução de Outubro de 1917 que mexeu com todas as forças sociais russas, e não só, até com partidos, grupos e interesses do mundo inteiro.

Daí a perigosidade de tais teorias, algumas delas provavelmente lançadas por serviços de contra-informação ou por grupos económicos com vista a anular a informação séria que logra circular na sociedade.

Isto não significa que não se construam raciocínios autónomos sobre as mentiras apresentadas pelos media do sistema, as quais é imperativo desmontar.

Mas cada coisa é uma coisa. Os mapas (as teorias) não são o território, mas são imprescindíveis para que nos orientemos. Ainda que tenhamos que refazer continuamente os mapas, corrigindo as suas imprecisões e lacunas.

09/05/2015

70 ANOS DA VITÓRIA NA GUERRA CONTRA O NAZI-FASCISMO

Estão a comemorar-se os 70 anos da rendição incondicional da Alemanha nazi ao exército vermelho.

No dia 9 de Maio de 1945 o comando das forças alemãs assinava a rendição incondicional.

Não podia fazer outra coisa, 2 dias depois do suicídio de Hitler e quando o exército soviético (conhecido como exército vermelho) tomava de assalto Berlim, abafando o último suspiro desesperado dos nazis.

Desde 22 de Junho de 1941 que as forças do Eixo - com 3,5 milhões de homens e 180 divisões mecanizadas - invadiram pelas 3 frentes norte, centro e sul o território da então URSS, cercando Leninegrado/S. Petersburgo que nunca se rendeu e teve 1,5 milhão de mortos (metade dos seus habitantes) devido à falta de abastecimentos e ao frio, ganhando os nazis numa 1ª fase sucessivas batalhas (em Minsk e Kiev os russos, bielorussos e ucranianos, perdem cerca de 1 milhão e meio de soldados; na ofensiva nazi em direção a Moscovo os russos perdem 650.000 homens; e nas muitas outras batalhas como Sebastopol e Odessa - Crimeia -, Estalinegrado/Volvogrado, Rostov , etc. os soviéticos têm perdas com números semelhantes, entre soldados mortos e capturados).



Mas a resistência dos povos integrados na então URSS foi encarniçada, contrariamente ao que esperavam os lideres nazis.  Infelizmente, então  por causa da Guerra Fria, hoje pela tentativa de isolar a Rússia de Putin que recusa o dictat americano, os média ocidentais mantêm viva a ficção de que a guerra se desenrolou sobretudo no ocidente, e quando muito no Pacífico, contra o Japão.

A verdade histórica é bem outra, como os números brutais na sua frieza comprovam: a URSS perdeu 27 milhões de pessoas naquela que os russos designam por "Grande Guerra Pátria". A resistência soviética foi feita cidade por cidade, aldeia por aldeia, rua por rua, casa a casa, em muitas cidades.

Só se compreende uma resistência tão feroz e heróica, perante um exército a que nenhum outro país invadido conseguira resistir, pela quase unânime adesão do povo ao esforço de guerra.

Foram cumpridas religiosamente as ordens mais estranhas e imaginativas, como fazer inundar os diques e lagos que separam Leninegrado de Moscovo, queimar todas as colheitas e todas as casas das aldeias à medida que as forças de Hitler iam avançando, de modo a negar-lhes qualquer abastecimento, pintar e camuflar os edifícios importantes de Moscovo para parecerem herdades rurais aos olhos dos aviadores alemães, enquanto em praças vazias eram desenhados edifícios militares para enganar os pilotos.

Todas as formas foram usadas para reter o máximo tempo possível as forças nazis, esperando que chegasse o Inverno rigoroso e os apanhasse na armadilha do frio glacial russo, para o qual os alemães não vinham preparados, acabando retidos a poucas dezenas de quilómetros de Moscovo e  sofrendo uma brutal derrota na batalha de Estalinegrado, onde morreram 800.000 soldados alemães ou seus aliados, mas à custa de 2 milhões de mortos do lado soviético.

É quase impossível descrever por palavras a dimensão da tragédia sem igual que foi a 2ª guerra mundial, particularmente nos países mais devastados como a Rússia.

Não há uma única família das populações então integradas na URSS que não tivesse algum parente morto nos combates, ou em razão da fome, do frio e doença como consequências da guerra.

A impressão mais dolorosa e comovida vê-se ainda hoje nos rostos fechados dos poucos veteranos que restam ou das mulheres idosas que não conseguem conter as lágrimas perante as terríveis lembranças das brutalidades dos nazis sobre os seus próprios filhos, mães, irmãos, incluindo fuzilamentos e lançamento dos seus corpos numa vala comum como se de animais se tratasse.

Retenho as palavras dum membro da resistência popular russa, que refletem um ódio irracional mas compreensível perante a barbárie da invasão nazi: "Quando apanhavamos alguns fascistas, matavamo-los a todos a tiro, mesmo os que levantavam os braços".

Outros depoimentos: "No hospital de 1ª linha de Moscovo.... os feridos entravam em comboios contínuos de camiões por um portão e, depois de lavados e operados nos casos mais urgentes, saiam por outra em contínuo para hospitais da retaguarda 24 horas por dia ... Os homens eram tão corajosos, que os feridos nas pernas se levantavam e andavam, enquanto os feridos nas mãos mostravam que podiam mexer os dedos, todos  reclamando voltar para a frente de combate".

VIDEO DO CANAL 'RUSSIA TODAY' (em língua Castelhana):
A BATALHA POR MOSCOVO - DEFENDER ATÉ À MORTE

 
 
 

04/05/2015

A TÍPICA CRÍTICA INGÉNUA (?) AO SISTEMA

Com o desenvolvimento da internet passou a ser corrente uma ideologia supostamente contestatária, dita até revolucionária, que na verdade não passa dum conjunto de banalidades inconsequentes acerca dos pretensos defeitos do "homem" e da "civilização", sem nunca nomear o verdadeiro responsável - o sistema.




O seguinte conjunto de slides dum artista polaco é um excelente exemplo desse tipo de ideologia pretensamente progressista mas na verdade muito útil ao sistema, ao atribuir ao "homem" em abstrato, à "educação", aos políticos em geral, aos media, aos atos anti-ambientais do simples cidadão, etc., duma forma parcelar e sem conexão, culpas que cabem exclusivamente ao sistema capitalista.

Um exemplo claro é quando o autor diz "A internet brindou-nos com a melhor arma para combater as injustiças: que as nossas palavras não possam ser abafadas por ninguém". E esta frase é a legenda da imagem acima, em que o Facebook é a ilustração para a dita cuja arma.

Logo o Facebook, um instrumento criado pelo pior setor do capitalismo para controlar e vigiar as pessoas e os movimentos sociais!

Na verdade a internet não serve para nada, melhor, serve  para alimentar a grande ilusão duma falsa liberdade, a partir do momento em que a generalidade das pessoas não dispõe da cultura política e social mínima para se defender do sistema, um sistema que as bombardeia continuamente com ilusões como as exemplificadas pela apresentação em anexo.

Clique aqui:
PAVEL KUCZINSKI - UMA CRÍTICA SOCIAL ILUSÓRIA




02/03/2015

NOVAS TÉCNICAS DE FORMATAÇÃO DA OPINIÃO

Resumo

O grupo no poder tem conseguido escapar a sucessivos casos que normalmente originariam a sua demissão imediata. Procuro analisar as causas da ineficácia das 'oposições'.

As razões residem na própria forma como o sistema está organizado hoje, o modo muito camuflado como as  oligarquias financeiras internacionais organizam o saque, permitindo-lhes enganar as populações, que atribuem a causas internas o que não é mais que fruto dum sistema internacional.

O público cai no engodo da propaganda - ele cresceu sob o ilusionismo consumista e mediático, o brilho falso das novas tecnologias e as permanentes promessas de sucesso fácil. Ele acredita nos media e os partidos ditos da oposição também ajudam à "festa" ao fazerem-se eco das notícias e comentários dos media que tratam como se fossem informações sérias.

A pouco e pouco, atordoadamente, as populações vão percebendo que as ilusões propaladas pelos media não têm nada a ver com a realidade.

Mas a própria estrutura social é cada vez mais complexa. E as pessoas isoladas, stressadas e dispersas por múltiplas tarefas, confrontam-se com organizações gigantescas e altamente centralizadas, que usam a seu favor a manipulação dos media, beneficiando da influência cada vez maior destes.

Acrescem fatores específicos portugueses: a pequena  escala do país e consequente baixa velocidade de circulação da informação,  além da dependência face ao exterior.

E por fim a inconsequente oposição dos partidos - seja por impreparação, seja por eles mesmas estarem iludidos com o sistema e 
instalados nele.

Urge repensar os métodos de luta.

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António Pinho Vargas (APV), para além do seu reconhecido talento musical, tem-se manifestado enquanto cidadão preocupado com a situação do País em vários momentos.

Recentemente, por exemplo, publicou no Facebook um pequeno texto em que verbera a manipulação por parte dos apoiantes do grupo no poder relativamente à omissão das obrigações contributivas do cidadão Passos Coelho.

Extraio algumas frases desse pequeno texto de APV que aproveitarei como mote para uma análise mais abrangente da problemática da formação da opinião pública.


Imaginemos (...) que o recente caso dos descontos para a Segurança Social, que Passos não pagou na devida altura (...) se teria passado com um dirigente do PS (...) -  o que estes dirigentes do PSD ou do CDS teriam dito sobre tais matérias...

(...) cria-se uma "moral privada" (...) que se desfigura conforme as várias conveniências para uso corrente. Pensar que a magistratura pensou levar a tribunal Soares por ter dito "ele que se cuide" - acrescento, frase tão perigosa como as anteriores declarações de inúmeros sindicalistas "se não vai a bem vai a mal", ou seja, expressões retóricas e inúteis de um desespero da vontade, mostra o grotesco desta coisa toda. A magistratura faz parte dele (...)
- António Pinho Vargas

Passos: acusado de ocultar fuga à Segurança Social...

... os seus propagandistas desdobram-se em justificações palavrosas
da que é, apesar da gravidade moral, das menos graves praticadas por esta gente

Ao fazer esta declaração, APV acaba por abordar um dos temas que reputo mais importantes na vida social atual, o da forma como se propaga a informação e por consequência, como se faz a avaliação das figuras públicas e nomeadamente dos políticos.

Hoje, os media e seus protagonistas - jornalistas, comentadores, entertainers - são parte integrante do sistema de poder, e fator fundamental do exercício e da luta pelo poder no sistema. 

Não apenas mensageiros duma mensagem qualquer, como ainda pensa aparentemente a 'oposição' que, pela voz dum líder partidário, repetia a velha frase 'não confundimos o mensageiro com o autor da mensagem'. 

A questão é que a mensagem e o mensageiro hoje são parte integrante do pacote do ilusionismo político com que o poder é exercido.

Vemo-lo na propaganda televisiva paga, da UE e suas políticas (que vendem ainda a ideia duma  UE muito humana e solidária). Ou nos acontecimentos no médio-oriente e na Ucrânia, acompanhados de maciças propaganda e desinformação, sem as quais sequer se poderiam realizar aquelas barbaridades e o público já teria percebido que está em preparação por parte dos EUA uma 3ª guerra mundial ou algo, no mínimo, muito perigoso e grave.
OS MEDIA SÃO O QUARTO PODER, 
MAS NÃO-AUTÓNOMO DO PODER PRINCIPAL

Cada vez mais o poder mediático (talvez alguns tenham esquecido, mas nos anos 70 falava-se já do 4º poder) é entregue a profissionais bem treinados, não só em comunicação e imagem como em métodos de manipulação e contra-informação.

Se nos anos 70 já se falava nisso, hoje faz muito mais sentido. com novas nuances, porém.

A verdade é que poucas pessoas – incluindo os especialistas – têm noção da importância real dos media na formação das opiniões.

Alguns alegam que o nível profundo de opinião, ou seja, as convicções no "estado sólido", são muito pouco afectadas pelos media. As pessoas formariam esse nível de opinião profundo pela participação nos seus grupos primários -  família ou círculo natural de amigos - ou em grupos profissionais, culturais, de lazer, etc. de que fazem parte. E acrescentam: menos de 10% de pessoas lêem jornais em Portugal e apesar dos avanços apenas uma minoria tem acesso à internet.

Não me parece verdadeira a conclusão
, apesar dos últimos factos apontados serem reais.

PORQUÊ E COMO OS MEDIA FORMATAM AS OPINIÕES? 

Hoje há outros factores a ter em conta
:

- O tempo cada vez maior que crianças e adultos gastam a ver televisão, ao ponto da maioria ligar automaticamente a TV ao chegar a casa, dormir com a televisão aberta, comer e fazer outras tarefas assistindo televisão
- O tempo reservado ao convívio familiar, aos jogos e brincadeiras infantis espontâneos e à relação autónoma familiar  é cada vez menor
- O número de famílias com disfuncionalidades de comunicação aumentou muito (a presença da TV não é a causa principal, mas é um fator que agrava)
- A falta de tempo dos pais para os filhos, o crescente individualismo, o isolamento dos séniores na sua casa, tudo contribui para a desagregação familiar, exclusivamente determinada pelas exigências profissionais e pelo estilo de vida social (ritmos, transportes, duplo emprego, trabalho extra-horário, padronização de valores e comportamentos) impostos pelo sistema na sua forma atual, não fruto de qualquer livre escolha individual, como nos é vendido.

Cada vez menos aquilo que se faz nos media – incluindo internet e redes sociais virtuais – é deixado ao acaso. A manipulação intencional por organizações profissionais – empresariais ou políticas – é cada vez maior, o que se vê até numa simples busca Google, personalizada conforme o perfil de cada utilizador automaticamente armazenado na base de dados do "motor".

OS MEDIA NÃO SÃO APENAS EMISSÁRIOS, 
ELES FAZEM PARTE DO PODER

Assim, uma primeira conclusão: encarar os media como um factor secundário é errado. Eles desempenham um  papel enorme na formação duma opinião pública e pessoal, em que o tempo passado frente às TVs, aos computadores, smartphones, ipods, consolas e outros media é enorme, e a quantidade e refinamento da informação por essa via é cada vez maior.

Hoje mais que nunca fazem-se e desfazem-se imagens de líderes, eventos e correntes de opinião, simplesmente criando-as, montando-as e pondo-as a circular nos media.

Mas a questão mediática obviamente não é tudo.

UM PROBLEMA SISTÉMICO E DE MENTALIDADES

Ilustrar o fenómeno da manipulação atribuindo-o apenas ao comportamento de certos personagens ou grupos, pode conduzir a uma visão redutora.

Tenho analisado bastante o problema da informação e creio que ele é sistémico e, por outro lado, entra no terreno da mentalidade

Tiro estas conclusões baseado em muita observação não só dos conteúdos informativos dos media principais, mas também de blogues, fóruns e grupos de debate net e espaços para comentários dos media on-line e ao vivo.

Em Portugal, conseguiu-se instalar um sistema e uma mentalidade que passo a caracterizar.

CARACTERISTICAS DA MANIPULAÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL

Sempre que há um governo ou político, mesmo que equivocamente, apelidado de esquerda e ele tem uma pequena falha - real ou inventada - caem-lhe todos em cima e, pior, responsabilizam-no direta e pessoalmente

Já quando se trata dum governo de direita, como se vê de forma mais óbvia no atual, assistimos a campanhas - orquestradas ou não - de grosseiro branqueamento das suas responsabilidades em qualquer facto negativo.

Vejamos exemplos recentes:

- As mortes e negligências hospitalares que ocorreram de forma generalizada no pico do frio foram explicadas como efeito da má gestão de diretores hospitalares e médicos, de modo a esbater a responsabilidade dos cortes e do desinvestimento no SNS por este governo - apenas a gravidade do caso e algumas vozes indignadas impediram um total branqueamento;

- Quanto ao desemprego, à vaga de falências, à corrupção, à nova vaga de emigração, ao aumento dos números dos sem-abrigo, da pobreza, dos idosos isolados, etc. - a culpa é atribuída a factores “diversos” (mas nunca ao governo) como:

a)    O 25 de Abril, que teria gerado todo um “novo” sistema de corrupção

b) O “socialismo” (?!) que terá passado a dominar o País – isto dito com desfaçatez por alguns propagandistas nas “redes”
Nota: Chocante falarem de 'socialismo' num país onde privatizaram uns atrás dos outros todos os sectores e grandes empresas a partir dos anos 80, um país com leis laborais das mais desfavoráveis aos trabalhadores dentro da OCDE e não só

c) Os supostos defeitos do povo português, apontado sem pudor como pobre, ignorante e sem espírito empreendedor, em contraste com os “maravilhosos” povos do norte da Europa
Nota: Porquê a democracia e toda a civilização moderna nasceu no sul da Europa, com o contributo de Portugal, e no final do séc. XIX a Suécia e os outros países nórdicos eram pobres , registando uma enorme emigração? E porquê as mais sangrentas e criminosas guerras foram provocadas pela Alemanha e pelo Japão, também desse norte 'tão civilizado'?

d) Os políticos em geral, apontados como corruptos e sem qualidade, o que seria culpa do peso excessivo do Estado

e) Estado e suas instituições - feitos bombos da festa porque  "delapidam o dinheiro dos contribuintes” e os “escravizam” 
Nota: Forma óbvia de branquear os cartéis multinacionais, apresentados como “geradores de riqueza e emprego”, enquanto tudo que seja Estado apenas serve, dizem, "para retirar meios à economia produtiva".  Afinal "argumentos" para justificar privatizações selvagens e cortes em tudo quanto é Segurança Social, subsídios de desemprego, Saúde, Educação e restantes funções sociais.


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18/02/2015

A PROPAGANDA ILUSIONISTA DOS MERCADOS. UMA ILUSTRAÇÃO: O CASO PT

Há alguns temas recorrentes na propaganda dos plantões ao serviço da nova ordem capitalista que cada vez mais se impõe subrepticiamente no mundo.


--> Esta publicação do grupo americano-brasileiro Globo ajuda a fabricar uma imagem idílica de "grande empresário" do player  que comprou a PT (ver link no final)







FANTASIAS VENDIDAS A PATACO

Uma das ideias que esses charlatões 'vendem' é que os países estão em crise porque não têm empresários competentes e empreendedores, e são demasiado corruptos. Ou ainda que a culpa é da população, preguiçosa e ignorante...

Para os propagandistas da "nova ordem", o sistema capitalista que designam por "o mercado" está cheio de gente séria.  Desde que se tenha iniciativa consegue-se enriquecer rapidamente. E qualquer país pode superar a crise, é só deixar 'o mercado' funcionar sem entraves sindicais, sem lutas, sem direitos.

TOMEMOS UM EXEMPLO RECENTE - A PT

Será que o maior grupo tecnológico português foi vendido - de forma caótica e por um preço 2 ou 3 vezes inferior ao seu valor real - apenas porque os seus gestores foram medíocres ou corruptos? 

E o comprador, esse sim,  é um empreendedor talentoso que subiu a pulso - como de forma grosseiramente demagógica é pintado pelos media mundiais?

Tudo mentiras!
A PT - apesar das culpas dos seus gestores, que no entanto são de nível mundial - terá sido prejudicada por interesses alheios à empresa. Nada de mais, afinal acontece no mundo todo. Estes gestores só tiveram algum 'azar'... cheira-me que o maior deles foi não servirem (ontem, hoje já não digo nada...) a Goldman Sachs ou a Carlyle.

O VERDADEIRO VALOR DA PT

A verdade é que a  PT era - e é - uma ótima empresa, como se vê nos números públicos.
Tomando 2013, ano mais típico que 2014, quando surgiu a confusão Rioforte/BES e o efeito Oi ganhou força.
As receitas operacionais da PT ascenderam a 2.911 milhões de euros, e o lucro antes de impostos, a 1.162 milhões euros.
Os seus ativos eram então superiores a 12.000 milhões de euros
Isto, sem as contas da Oi, porque com estas os números atrás multiplicam-se várias vezes.

Certo que em 2014 houve o prejuízo dos 897 milhões da Rio Forte/GES. 
O que, sendo relevante, jamais afetaria o valor duma empresa que tem um ativo e vendas ou lucros como os da PT. Este golpe foi apenas um pretexto para uma campanha desvalorizadora da imagem da PT e para a administração da Oi vender a PT.
  
Veja-se que a PT vendera poucos anos antes os seus 50% da Vivo, e só isso rendeu-lhe 7,5 mil milhões de euros. Com menos de metade desse dinheiro, comprou então 23% da Oi dentro dum projecto conjunto PT-Oi que resultaria na construção dum grande grupo de língua portuguesa. Hoje vemos que afinal havia pessoas ou forças internas e externas que não estavam interessadas: à primeira oportunidade enterraram o projecto.

Agora a PT é vendida por 7,4 mil milhões € à Altice, do judeu francês Patrick Drahi.

Como é possível? E como por esse preço, numa empresa que além de dominante em Portugal, detém 23% da Oi e detém as principais Telecoms de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor e outros países?

AS VERDADEIRAS RAZÕES DO NEGÓCIO PT

Tudo aponta que as razões da ruinosa venda da PT só podem ser encontradas em jogadas da alta finança mundial e em poderes político-económicos secretos que manipulam a seu belprazer - imaginamos por que meios - de modo a criar condições para comprar a preço da chuva e para vender caro mais tarde, ou simplesmente para fins estratégico-políticos.

Como parece ser o caso deste Patrick Drahi que, sabe-se agora, anda a preparar um grande grupo mediático judeu na Europa, que possa abarcar novos setores  da opinião pública mundial.

Como é que uma empresa que cresceu tanto, e deu sempre altos lucros, pôde ser vendida apenas pelo valor que tinha a sua própria participação na Vivo, poucos anos antes? Absurdo.

Outra explicação - não contraditória, mas complementar - é de natureza estratégico-política. Além do projeto duma Aljazira euro-israelita, poderá haver aqui 
uma "mão comprida" nas telecomunicações em Portugal e no Brasil (conferir link abaixo do novo cabo para  a Europa).


UM SISTEMA MINADO POR PODERES OCULTOS

Todos estes negócios não seriam possíveis sem o apoio de poderosos bancos. Já chego lá...

Mas para os propagandistas do 'mercado', o capitalismo funciona todo ele a azul e rosa: um mundo perfeito onde só contam as capacidades individuais e a competência - eis uma fábula em grande estilo.
Apenas propaganda grosseira.

A realidade grave é a dos poderes ocultos que desgovernam o mundo, fazendo e desfazendo conglomerados e países a seu belprazer, como se constata agora mesmo, vendo as notícias do dia! Poderes com uma agenda própria.

E o famoso mercado, não existe?  Existe. Só que é manipulado com toda a facilidade por tão grandes poderes. Eles podem até jogar dentro das regras. Mas quando não lhes convém alteram-as e o jogo passa para baixo do pano...

Para grupos com mais dinheiro que a maioria dos países - caso da Goldman Sachs ou da Carlyle, por exemplo - tudo é possível. Quem duvida?

LINKS IMPORTANTES PARA PREENCHER O PUZZLE

Finalizo com alguns links onde se podem conferir os dados e hipóteses enunciados.

A - Interesse em dominar a PT para interferir nas comunicações brasileiras (não sendo de excluir que a OI esteja incluída no pacote, uma vez que a PT detém 23% da OI e é o maior acionista)



B - Comprovativo de que a PT valia muito mais que os 7,4 mil milhões de euros por que foi vendida, uma notícia de 2006:


C - As historietas dos que fabricam (literalmente) a imagem dos testas de ferro, pintando-os como grandes empresários milagreiros, que sobem a pulso por mérito pessoal e a partir "dum pequeno negócio":


D - A realidade é bem diferente. Patrick Drahi deu o salto após se ter juntado ao suspeitissimo grupo Carlyle:


E - E o que é a Carlyle? Aqui vai um pequeno "cheirinho":


Ou o poder financeiro da Carlyle na Ásia. Terá sido por isso que Drahi, na altura dono duma pequena consultora europeia, conseguiu o contrato da instalação da fibra ótica em Pequim (que o lançou no mundo da alta finança)? - é apenas uma pista.
http://exame.abril.com.br/.../carlyle-levanta-us-3-9-bi...


F - E quem financia de facto? Várias notícias apontam o alto endividamento do grupo Altice. Sempre expandindo, porém, com novas e vertiginosas aquisições .

Aqui se vê quem o financia. A notícia diz que "ele escolheu o banco". 
Não será o contrário? 
Testas de ferro não escolhem, são escolhidos.
Será?

G - A omnipresente Goldman Sachs. Interessante saber quem a dirige, no caso, o próprio presidente. NOTA: Talvez mais interessante que os conteúdos, de duvidosa fiabilidade, da Wikipedia, seja no final de cada artigo, a tabela das relações e categorias.



Nota

Um pouco à margem do tema, é interessante notar que, segundo a Wikipedia:

"Goldman Sachs esteve envolvido na origem da crise financeira da Grécia, pois ajudou a esconder o déficit das contas do governo conservador de Kostas Karamanlis. Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, era vice-presidente do Goldman Sachs para Europa, com funções executivas, durante o período em que se realizou a ocultação do déficit"

Como se vê, tudo boa gente, nada manipuladora. Nem sabem o que isso é...

A competência, o empenhamento, e o espírito empreendedor é que contam”. - Boa piada...